Festival de Parintins 2012

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Atualizado em sábado, 30 de junho de 2012 - 01h28

Garantido mostra força de sua tradição

Garantido mostra força de sua tradição Sinhazinha exibiu graça ao dançar com o Boi Garantido Carol Gherardi/Band

Com o tema “Garantido, Tradição”, o boi vermelho abriu a 47ª edição do Festival Folclórico de Parintins na noite desta sexta-feira, dia 29, enaltecendo seu criador, Lindolfo Monteverde.

Ao entrar na arena do bumbódromo, o apresentador Israel Paulain falou sobre a origem nordestina e humilde do pescador Lindolfo, que se confunde com a história do boi da Baixa do São José, região da cidade de Parintins onde fica o curral do bumbá.

O apresentador também lembrou que o dia 29 de junho era especial para o Garantido, já que a data foi dedicada a São Pedro, protetor dos pescadores.

“Que rufem os tambores da tradição”, comandou Paulain ao final da abertura.  Foi a deixa para a Batucada aumentar o ritmo e começar a toada “Miscigenação”, sucesso do ano de 2011. Empolgada, a galera vermelha, item ´que não perde há 12 anos, cantou em uníssono os versos “nossa festa é de boi bumbá/nosso ritmo é quente/amazonense”, fazendo um coro emocionante.

Carol Gherardi/Band


Na arena, a primeira alegoria da noite mostrava corações enormes. Com ela vieram a porta-estandarte Raissa Barros, a sinhazinha Ana Luiza Faria e o amo do boi Tony Medeiros.

Enquanto isso, o levantador Sebastião Junior, de  24 anos, que apesar da pouca idade esbanja talento, cantava a toada “Tradição da Baixa”.

A essa altura, a alegoria já havia revelado uma enorme figura do mestre Lindolfo Monteverde. Surgiu então, de um coração no centro do peito da imagem, o boi, senhor da festa, fazendo movimentos precisos comandados pelo tripa Denildo Piçanã.

Fusão de elementos na arena

A Lenda Amazônica do Garantido mostrou o Arantareimo, um gigantesco macaco que protege a floresta da destruição do homem. Representado por uma alegoria com figuras medindo mais de 25 metros de altura, repletas de movimento, o mito introduziu na festa do Vermelho a cunhã-poranga, como é chamada a mulher mais bela da tribo, encarnada por Tatiane Barros.

Para lembrar a religiosidade do caboclo ribeirinho, em seu primeiro ato na ópera da floresta o boi vermelho reproduziu no bumbódromo uma réplica da igreja de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. 

Em volta da alegoria, feita inteiramente em material reciclável, “flutuaram” pela arena diversos barcos cenográficos, que representaram a procissão fluvial anual dedicada à santa.

Carol Gherardi/Band


O Garantido também falou sobre o ritual da tucandeira, feito pela tribo sateré-mawé. Durante a prova de iniciação, os meninos da etnia tem de colocar, por quatro dias, as mãos em luvas com dezenas de formigas tucandeiras, conhecidas pela agressividade. 

Na teatralização do costume, insetos gigantes invadiram a arena, em uma grandiosa coreografia com o pajé e dezenas de dançarinos.

Sem estourar o tempo estipulado para a apresentação, o Garantido voltou a recorrer à toada “Miscigenação” ao sair de cena e mais uma vez levantou a galera em sua apoteose.  

 

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