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Proteína pura: pesquisadores criam concentrados proteicos de lentilha e grão-de-bico

Grupo já criou, no ano passado, concentrados proteicos de feijão e ervilha

Por Viviane Taguchi

Proteína pura: pesquisadores criam concentrados proteicos de lentilha e grão-de-bico
Embrapa

Cientsitas da Embrapa Agroindústria de Alimentos, do Rio de Janeiro, criaram concentrados proteicos, produto semelhante ao conhecido whey protein, usando lentilhas e grão-de-bico. Eles já haviam criado, em 2023, um concentrado de feijão e de ervilha. Segundo a Embrapa, o concentrado de lentilha tem 80 gramas de proteína para cada 100 gramas de produto e o de grão-de-bico, 73 gramas de proteína para cada 100 gramas.

Os pesquisadores afirmam que os dois produtos são similares aos de origem animal, como hambúrgueres, empanados, salsichas, linguiças, bebidas vegetais e iogurtes e também podem ser usados em panificação, bebidas proteicas e suplementos alimentares.

Segundo a pesquisadora Janice Lima, a pesquisa levou em consideração o uso de matérias-primas com teor razoável de proteínas, que é o caso das pulses. Essas sementes comestíveis de plantas apresentam naturalmente de 20% a 30% de proteínas e, por serem amplamente produzidas e consumidas no mundo, são candidatas naturais para a obtenção de concentrados proteicos. “Entre as pulses, o concentrado proteico obtido de ervilha, majoritariamente importado, já é conhecido do mercado, enquanto outras leguminosas são menos estudadas. O grão-de-bico e a lentilha são culturas que vêm ganhando força no País devido à versatilidade de produção”, observa.

Altos teores de proteínas

A pesquisadora Caroline Mellinger explica que os dois concentrados têm altos teores de proteínas, contendo quantidades mínimas suficientes de parte dos aminoácidos essenciais em sua composição, como a lisina, leucina, isoleucina, histidina e treonina, de acordo com as recomendações de órgãos nacionais e internacionais, como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“As proteínas dos grãos foram amplamente testadas em um experimento que simula a digestão humana, o que é interessante do ponto de vista nutricional, pois essas pequenas partes que compõem as proteínas, chamadas de aminoácidos e peptídeos podem ser absorvidas pelo intestino e irão compor parte do aporte proteico necessário para manter o funcionamento do organismo humano”, afirma.

Resíduos podem ser aproveitados

O aproveitamento dos resíduos gerados com a extração das proteínas de grãos de lentilha e grão-de-bico também foi estudado. Segundo a pesquisadora Melicia Galdeano, que conduziu os estudos, o objetivo foi otimizar o uso do material a partir de  práticas de economia circular, um processo cíclico que fecha todas as cadeias. “É muito importante destacar que são tecnologias com menor impacto ambiental sem o uso de reagentes químicos prejudiciais ao meio ambiente”, aponta. 

Como resultado, foi possível obter três ingredientes: amidos de lentilha e de grão-de-bico com pureza de 92%; ingredientes fontes de fibras alimentares, com um teor de 35% para a lentilha e 33% para o grão-de-bico e ingredientes ricos em carboidratos (amido e fibra), com 20% de fibras para a lentilha e 21% para o grão-de-bico. Todos os ingredientes têm potencial de aplicação em diversos produtos processados visando ao enriquecimento de fibras ou como agentes de textura.

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