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“RPG de mesa”: A nova febre de contar histórias

Conheça o tipo de jogo de tabuleiro onde tudo acontece na mente dos jogadores

Por Laboratório da Notícia

“RPG de mesa”: A nova febre de contar histórias
Banco de Imagens

O RPG de mesa, também conhecido como RPG de papel e caneta, é um hobby que se baseia em contar uma história de forma colaborativa com um grupo. Na maioria dos casos uma pessoa se dispõe a posição de narrador geral enquanto os outros assumem o papel dos personagens que estarão desbravando o cenário proposto.

O jogo existe desde os anos 70, mas com o avanço das mídias digitais e principalmente de projetos nacionais, o Brasil se tornou um grande participante desse mercado. Atualmente o RPG de mesa existe não só como um hobby, mas também como uma ferramenta de ensino e até em tratamentos terapêuticos.

Como começar a jogar RPG

Como todo jogo de tabuleiro, o mais importante para jogar é estar entre colegas, pois todos podem escolher criar um mundo próprio ou jogarem usando um sistema já desenvolvido. O cenário brasileiro possui diversos sistemas que retratam histórias desde um mundo medieval com magia ou até mesmo um filme de terror com fantasmas.

Depois de todos criarem os personagens e decidirem um narrador para descrever e regular o mundo, basta se reunirem presencialmente ou através de algum aplicativo online e começarem a vivenciar as situações que o mundo escolhido pode retratar.

Pra quem ainda não tem um grupo definido pra jogar, existem muitas comunidades em plataformas como o Facebook, Twitter e Discord dispostas a ensinar jogadores novos e introduzi-los ao hobby.

O RPG no Vale do Paraíba

Nossa região possuí uma conexão com esse hobby que pode ser vista pelos diversos projetos envolvendo o RPG de mesa na região, desde criadores de conteúdo com milhares de visualizações até histórias envolvendo os mitos e a cultura do Vale. Conversamos com alguns envolvidos da região sobre qual a importância do RPG para a comunidade local.

SJCbyNight

“Como é ser imortal em uma cidade que 100 anos atrás era voltada para a agricultura e agora é um dos polos tecnológicos do país? ” Esse é o questionamento levantado pelo Jefferson Agostinho de 35 anos, organizador do projeto SJCbyNight, um RPG de vampiros que utiliza a cidade de São José dos Campos como mapa para a narrativa estabelecida.

Em sua página no Instagram, o projeto usa da criatividade da comunidade para o desenvolvimento de complexidades para o cenário. Ele comenta como eles são influenciados por histórias vindas dos moradores da região. “Com o tempo, criamos um core de histórias próprias e nossos jogadores foram adicionando dinâmicas e pontos novos, expandindo nossos conhecimentos. Mas o estudo da história, das notícias e da cultura valeparaibana é constante. ”

Jefferson Agostinho também comenta sobre a importância da utilização do folclore da região para a criação de histórias: “Temos grandes escritores brasileiros que são cria de nossa terra e as usaram como inspiração, não só da literatura infantil, mas dos romances de época, do horror sobrenatural com zumbis e lendas, do Sci-fy, de alta fantasia e etc.…” Ele fala ainda sobre como o RPG de mesa é uma vítima das Fake News e preconceitos ultrapassados e como a comunidade deve tentar ser inclusiva com o hobby para todos.

O Bico do Corvo

É uma dupla da região que decidiu produzir e vender itens relacionados ao mundo do RPG devido a uma paixão pelo hobby e pela cultura brasileira. Eles participam de eventos locais e tem forte presença no Instagram.

Natália Josepha e Matteus Vilela seguem com uma visão ampla para o cenário de RPG da região, tendo explorado diversos tipos diferentes de eventos no qual as pessoas experienciam esse tipo de mídia.

Um dos mais marcantes é o “Confraria das Ideias” composto por diversas oficinas disponíveis para a comunidade, tudo de graça. “Ver crianças em situação vulnerável jogarem videogame pela primeira vez e ajudados a trabalhar a sua criatividade foi um dos melhores momentos do meu ano”, disse Natália – Após essa experiência, o Bico do Corvo se inspirou para a tentativa de desenvolvimento de mais eventos como este para a região do Vale.

A dupla comenta o impacto positivo que o RPG tem para o aprendizado e como ele pode incentivar outras práticas positivas para a população. “É extremamente contagiante ver pessoas que nunca fizeram parte do meio se divertirem, estimularem sua criatividade e socializarem com outras pessoas”

Luke do Mesa Crítica

É um criador de conteúdo, narrador e escritor da comunidade de RPG. André Lucas tem apenas 18 anos e uma história comovente com o mundo do RPG de mesa nas plataformas online. Ele conseguiu transformar os antigos ídolos do jogo em colegas.

André tem investido nessa área há alguns anos, tendo sempre o foco de se tornar parte daquilo que ele sempre admirou do outro lado da tela. Atualmente o jovem coordena os escritores do sistema “Starvision” e também faz parte de um grupo focado na produção de histórias de RPG para o youtube chamado “Mesa Crítica” junto de colegas que ele conheceu online.

Sobre a participação do Vale na esfera do RPG de mesa ele comenta. “O foco no Vale do Paraíba é extremamente pequeno e isso é no mínimo duvidoso” – a visão geral é que nossa região ainda é muito pouco explorada por essas grandes expansões que ocorrem do mercado de RPG de mesa, algo que não condiz com o aumento do interesse que foi gerado durante a pandemia, uma época onde as pessoas descobriram a paixão pelo hobby.

Benefícios de Jogar RPG

Devido ao tipo de atividade que é o RPG de mesa, ele agrega diversas vantagens para o desenvolvimento de habilidades cooperativas e de solução de problemas com criatividade.  Assim, o hobby pode ser benéfico para pessoas de qualquer idade e vivência.

Além disso, para o desenvolvimento acadêmico, estudos na área da comunicação e pedagogia indicam que a metodologia de ensino utilizando o RPG influencia na vontade do aluno de procurar mais acerca de tópicos que são abordados nas narrativas desses jogos.

No fim, esses tipos de jogos são perfeitos para se conectar e vivenciar histórias com outras pessoas, em um ambiente seguro e colaborativo, ele se mostra excelente para compreender o raciocínio de seus colegas e também sobre como sua própria personalidade é refletida em seus personagens. Veja abaixo alguns links sobre os participantes citados na matéria.

SJCbyNight

O Bico do Corvo

Luke Skyfall

Por Pedro Nagasawa
Estagiário* - projeto sob a supervisão de Nelson Gazolla - MTb: 74.409/SP
Direção de Conteúdo - Cláudio Nicolini

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