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O que se sabe sobre o pior naufrágio de imigrantes já registrado no Canal da Mancha

Autoridades trabalham na identificação das 27 vítimas; duas pessoas foram resgatadas com vida

Rádio BandNews FM 25/11/2021 • 12:48

Ao menos 27 pessoas morreram afogadas depois de um barco que tentava fazer a travessia entre a França e o Reino Unido virar no Canal da Mancha. O caso ocorreu nesta quarta-feira (24), e as autoridades agora trabalham na identificação das vítimas – trabalho considerado árduo, uma vez que muitos imigrantes realizam tentativas de trajeto entre países sem nenhuma documentação. Houve ainda o resgate de duas pessoas com vida: um homem do Iraque e outro da Somália, que estão se recuperando de uma grave hipotermia.

O episódio está sendo classificado como a pior tragédia envolvendo imigrantes já registrada no canal que separa a ilha da Grã-Bretanha e o norte da França desde que dados desse tipo começaram a ser coletados, em 2014.

Até o momento, as autoridades sabem que, entre as vítimas, estavam ao menos uma mulher grávida e uma criança. As nacionalidades dos que morreram ou as causas do ocorrido ainda são desconhecidas. Acredita-se, no entanto, que a maioria vinha do Oriente Médio.

O correspondente da BandNews FM na Europa, Felipe Kieling, destaca que o caso pode ser considerado uma “tragédia anunciada”, uma vez que o Canal da Mancha é a rota marítima mais movimentada do mundo, se tornando uma rota muito lucrativa para os traficantes de pessoas – cada lugar em um bote inflável chega a custar três mil libras (equivalente a mais de R$20 mil pela cotação atual). Apesar das dificuldades, todos os dias, dezenas de imigrantes se arriscam no trajeto, com o objetivo de chegar ao território britânico.

O presidente da França, Emmanuel Macrón, se manifestou sobre o caso, afirmando que não irá permitir que o Canal da Mancha “se torne um cemitério”.

Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que será realizado um trabalho mais aprofundado para atacar a raiz do problema: os traficantes de pessoas.

A polícia francesa prendeu cinco pessoas suspeitas de ligação com a travessia.