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Comunicação entre criminosos é uma das principais causas de confrontos, diz PM

As articulações entre os bandidos ocorrem até mesmo dentro do complexo penitenciário; BandNews FM acessa inquérito do MP sobre operação que prendeu seis agentes e 2 PMs

Carlos Briggs 24/05/2022 • 15:19
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No dia em uma operação da Polícia Militar terminou com mais de 10 mortos no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, o porta-voz da corporação afirma que a comunicação entre criminosos é uma das principais causas da guerra no Rio. A ação foi realizada após o setor de inteligência da PM detectar a movimentação de centenas de traficantes na região.

As articulações entre os bandidos ocorrem até mesmo dentro do complexo penitenciário. A BandNews FM teve acesso ao inquérito do Ministério Público referente à operação do órgão que terminou com a prisão de seis agentes penitenciários e dois policiais militares na última sexta-feira.

O documento mostra um diálogo entre o miliciano Francisco Anderson da Silva, o Garça, e o agente penitenciário Édson da Silva Souza, identificado como Amigo S, e um dos servidores presos na ação.

Em um trecho da conversa, o bandido indica nomes que devem compor a cúpula operacional da Secretaria de Administração Penitenciária. O servidor foi nomeado Superintendente da Área de Segurança da pasta. A função permite acesso a informações antecipadas de todas as operações das polícias Federal e Civil, além do Ministério Público.

Um dos agentes da Seap, que teve a identidade preservada e a voz distorcida, fala sobre a capilaridade dos criminosos.

Em nota, a Seap informou que a movimentação dos presos pelas unidades do sistema penitenciário é uma prática da rotina operacional da pasta, que tem a prerrogativa de transferir os internos de acordo com a demanda e com seus perfis.

Sobre o servidor, que teve o nome citado pelo miliciano Garça para ocupar cargos estratégicos no sistema carcerário do Rio e, de fato, foi nomeado para esta função, a pasta se limitou a dizer que colabora com as investigações e que a corregedoria da pasta segue acompanhando o caso.

A Seap ainda informou que não compactua com regalias e faz, rotineiramente, ações de busca e fiscalização nas unidades prisionais, como a realizada na noite desta segunda-feira, dia 23, na Penitenciária Bandeira Stampa, que abriga milicianos. O comunicado acrescenta que na ação, policiais penais da Coordenação das Unidades Prisionais de Gericinó apreenderam 22 telefones móveis na área comum.

Por fim, a Secretaria acrescenta que conflitos internos e novas alianças formadas pelos criminosos, que se aliam ao grupo rival, também é um motivador para transferência, uma vez que é necessário garantir sua integridade física, cumprindo o papel do estado de custodiar o preso com segurança.))