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DRCI do Rio registra 112 crimes de estelionato de redes sociais em 2021

Crime consiste em invadir as redes sociais de uma pessoa e praticar venda de produtos inexistentes

João Boueri* 27/01/2022 • 18:12 - Atualizado em 27/01/2022 • 18:28
Criminosos utilizam perfis para vender produtos que não existem e pedir dinheiro
Criminosos utilizam perfis para vender produtos que não existem e pedir dinheiro
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) do Rio de Janeiro registrou, em 2021, 112 crimes de estelionato de redes sociais, quando criminosos utilizam perfis para vender produtos que não existem e pedir dinheiro. A maioria dos casos foi entre outubro e dezembro do ano passado.  

Estelionato de redes sociais é a expressão que os especialistas utilizam para explicar o crime de invadir as redes sociais de uma pessoa e praticar venda de produtos inexistentes.

Uma ouvinte, que teve sua identidade preservada e a voz distorcida, conta que ficou com seu perfil no Instagram na mão de criminosos por quase sete dias e que eles tentavam vender eletrodomésticos e pediam R$500,00 para cada seguidor. 

Os criminosos falavam que uma suposta amiga estava viajando e precisava vender seus produtos. Além disso, eles pediam dinheiro para cada pessoa nas mensagens privadas.

Uma outra ouvinte, que também preferiu não se identificar, relata que teve sua conta invadida no mesmo dia 19 e que ainda não conseguiu recuperar o perfil. 

'A minha conta pessoal foi invadida no dia 19 de janeiro. Desde então, várias denúncias foram feitas ao Instagram, mas até agora não recuperaram minha conta. Eles estão vendendo produtos que não existem com o meu nome e o Instagram não faz nada mesmo após notificação judicial.'

O especialista em direito digital, Antonio Carlos Marques Fernandes, conta que fatores de segurança nas redes sociais podem prevenir um ataque de hackers.  

'É recomendado ativar a verificação de dois fatores, por exemplo. Tudo o que acontece na internet deixa rastro. A Polícia Civil pode identificar qual foi o modus operandi da quadrilha e seguir o caminho do dinheiro.'

Para o advogado criminalista, Paulo Henrique Lima, é recomendável registrar o crime na delegacia e ressalta que a maioria das ações criminosas envolvem sempre uma argumentação urgente na tentativa de solicitar o dinheiro. 

'O ideal é fazer o registro de ocorrência na delegacia mais próxima. Os criminosos invadem as contas e divulgam anúncios atrativos de variados produtos ou pedem dinheiro sempre com uma justificativa que alguém está precisando urgentemente do auxílio. O PIX é mais utilizado na receptação do dinheiro porque o recebimento é instantâneo, o que diminui as chances de ressarcimento da vítima.'

Em nota, o Instagram diz que trabalha na implementação de recursos capazes de barrar o acesso de hackers a contas de terceiros, em campanhas educativas de identificação e prevenção a esse tipo de ataque, bem como em ferramentas e processos para a recuperação de contas.  

Além disso, a empresa afirma que manter a comunidade segura é uma das prioridades e uma área em que busca melhorar constantemente. O Instagram finaliza ao dizer que o processo de recuperação pode levar algum tempo, uma vez que é preciso garantir que todos os requisitos de segurança sejam cumpridos para devolver a conta ao seu legítimo dono.

*Estagiário sob supervisão de Isabele Rangel