Notícias

Problemas nas concessões dos transportes no Rio marcam o ano de 2023

Acompanhe o segundo episódio do “O que foi Notícia em 2023”

Por Pedro Dobal

As reclamações são constantes na SuperVia
As reclamações são constantes na SuperVia
Divulgação/Agetransp

Apesar das inúmeras promessas de melhorias, a rotina dos cerca de 620 mil usuários que passam pelos trilhos da SuperVia todos os dias continuou desafiadora em 2023. Ao longo do ano, os passageiros voltaram a testemunhar os mesmos problemas já conhecidos por quem depende do sistema: trens parados, intervalos irregulares, estações lotadas e desembarques no meio do caminho.

Os usuários ainda tiveram que conviver com descarrilamentos, colisões e até mesmo companhias indesejadas, como a presença de ratos em meio aos vagões.

No mês passado, dez pessoas ficaram feridas em uma batida entre dois trens em Madureira, na Zona Norte. Em julho, 19 se machucaram em um acidente envolvendo um ônibus em Japeri, na Baixada. Um mês antes, outro trem também colidiu com um coletivo em Duque de Caxias, deixando sete feridos. Em janeiro, 12 pessoas se machucaram em outro acidente do tipo.

Segundo o diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, a recorrência de problemas nos trilhos é reflexo da falta de investimentos.

Para evitar o furto de cabos, o Governo do Rio estudou, ao longo do ano, a construção de muros de concreto nos trechos mais críticos, mas até agora nenhuma obra foi anunciada.

Enquanto isso, o futuro da concessão ainda é incerto. Em abril, a controladora da SuperVia anunciou que deixaria o serviço, mas voltou atrás semanas depois.

O secretário de Transportes, Washington Reis, chegou a dizer que o contrato com a concessionária seria extinto, o que não ocorreu. O Governo afirma que a empresa não fez os investimentos necessários, enquanto a concessionária alega que o estado tem dívidas de mais de R$ 1 bilhão.

A coordenadora do Observatório dos Trens, Rafaela Albergaria, lembra que o principal prejudicado é o usuário, que já gasta boa parte do dia no transporte público.

Os impasses envolvendo as concessões do transporte público não se limitam à SuperVia. Neste ano, os cerca de 50 mil passageiros que utilizam as barcas diariamente ficaram ameaçados por um imbróglio entre o Estado e a CCR. O contrato de concessão chegou ao fim em fevereiro e o serviço continuou de forma emergencial. A situação só foi resolvida após um acordo homologado pela Justiça.

A CCR concordou em renovar o contrato por mais dois anos, até fevereiro de 2025, enquanto o governo prepara a nova licitação.

A ideia é que o edital não siga os moldes de uma concessão tradicional. Dessa vez, uma empresa deve ser contratada para prestar o serviço por até seis anos, recebendo principalmente por milha navegada. O controle da arrecadação com as passagens passaria para as mãos do Estado, que também seria o responsável pelos novos investimentos.

Para quem vive na Ilha de Paquetá, as barcas são o único meio de locomoção. O presidente da Associação de Moradores da ilha ressalta que a demora é motivo de apreensão.

Impasse sob trilhos, de barcas e também pelos ares... A concessão do Aeroporto do Galeão, na Zona Norte, foi outra que passou por reviravoltas em 2023. A empresa de Cingapura que opera o terminal tinha pedido para deixar a administração no ano passado, mas mudou de ideia no início do ano.

A companhia alegava prejuízos com a queda do número de passageiros, enquanto o Aeroporto Santos Dumont, no Centro, vinha operando no limite da capacidade, mesmo com uma estrutura menor.

Em agosto, o governo federal anunciou medidas para tentar equilibrar a operação dos dois aeroportos e levar mais movimento ao Galeão. Inicialmente, a regra proibia voos com mais de 400 quilômetros de distância no Santos Dumont. Depois, foi estabelecido um limite de seis milhões e meio de passageiros por ano, sem restrição de destinos.

Diferentes companhias já anunciaram novos voos no Galeão e a esperança é de que terminal volte a ter protagonismo na malha aérea nacional e internacional.

Tópicos relacionados