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Ronnie Lessa delata grande esquema de grilagem de terra em cartório do Rio

O ex-policial militar explicou como funciona o processo de grilagem de terras. Segundo ele, em 15 dias a regularização acontece

Por João Boueri

Ronnie Lessa delata grande esquema de grilagem de terra em cartório do Rio
Reprodução

O cartório de registro de imóveis que mais arrecadou no somatório do Conselho Nacional de Justiça pode estar envolvido com a grilagem de terras na Zona Oeste do Rio. A declaração foi dada pelo ex-PM, Ronnie Lessa, réu confesso por atirar contra a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, durante colaboração premiada.  

Ronnie Lessa identificou pelo menos três pessoas envolvidas com os funcionários com o 9º Ofício de Registro de Imóveis. O acusado disse que eles conseguem levantar todos os documentos necessários, carimbos e até inserir datas retroativas para regularizar terrenos.  

Um dos identificados pelo ex-PM é um despachante apelidado de "Geleia", que é o responsável por legalizar os documentos do loteamento. O pagamento variava entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.  

O ex-policial militar explicou como funciona o processo de grilagem de terras. Segundo ele, em 15 dias a regularização acontece.  

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, o 9ºRGI arrecadou R$ 75 milhões e 913 mil no último semestre.  

O julgamento de denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, e o ex-chefe de Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, vai ser realizado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal na próxima terça-feira (18). Os três podem virar réus por homicídio e organização criminosa pelo planejamento da morte da vereadora Marielle Franco. Todos negam as acusações.  

Já o crime de integrar organização criminosa foi atribuído a Domingos e Chiquinho e a um assessor de Domingos Brazão, Robson Calixto Fonseca. A PGR ainda pediu a perda dos cargos públicos dos acusados e o pagamento de indenização aos familiares das vítimas.  

Em colaboração premiada, o ex-policial militar Ronnie Lessa afirmou que os irmãos Brazão e Rivaldo tiveram participação no assassinato. Os três suspeitos foram presos em março deste ano em uma operação da Polícia Federal. 

Procurados, a Associação dos Registradores de Imóveis do Estado do Rio e o 9º Ofício de Registro de Imóveis, ainda não se posicionaram.

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