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Associação da Anvisa diz que declaração de Bolsonaro é "método fascista"

Univisa entendeu que Bolsonaro pretende divulgar os nomes dos servidores para que eles sofram retaliações

Da Redação, com Bandnews TV 17/12/2021 • 16:03

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse recentemente que ia pedir nomes dos servidores da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) que aprovaram a vacinação contra covid-19 para crianças de 5 a 12 anos. A Univisa (Associação de servidores da Anvisa) entendeu que isso é uma ameaça e um "método abertamente fascista" do presidente.

A vacinação de crianças foi aprovada pela Anvisa após consultas a especialistas da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), além das análises dos próprios servidores da Anvisa.  

Mas o governo federal não parece disposto a começar imediatamente a imunização das crianças. O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que pretende esperar por um "amplo debate". Bolsonaro levantou dúvidas sobre a decisão da Anvisa em uma transmissão ao vivo.

"Pedi extra oficialmente os nomes das pessoas que aprovaram a vacina para crianças a partir de . Estou querendo divulgar os nomes das pessoas para que todo mundo tome conhecimento e obviamente forme o seu juizo. Não sei se são os diretores e o presidente que chegaram a essa conclusão ou é o tal do corpo técnico. Mas seja qual for, você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram aqui a vacina a partir dos cinco anos para o seu filho", declarou Bolsonaro.

A Univisa entendeu que Bolsonaro pretende divulgar os nomes dos servidores para que eles sofram retaliações, já que muitos eleitores do presidente são contra a aplicação de vacinas.

"A intenção de se divulgar a identidade dos envolvidos na análise técnica não traz consigo qualquer interesse republicano. Antes, mostra-se como ameaça de retaliação que, não encontrando meios institucionais para fazê-lo, vale-se da incitação ao cidadão, método abertamente fascista e cujos resultados podem ser trágicos e violentos, colocando em risco a vida e a integridade física de servidores da Agência. Uma atitude que demonstra desprezo pelos princípios constitucionais da Administração Pública, pelas decisões técnicas da agência e pela vida dos seus servidores", manifestou a Univisa.