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Ciro Gomes suspende pré-candidatura por atrito com o PDT

"Há momentos em que a vida nos traz surpresas fortemente negativas", disse Ciro

Da Redação 04/11/2021 • 10:24

Ciro Gomes decidiu suspender sua pré-candidatura à Presidência nas eleições de 2022 até que a bancada do PDT na Câmara reavalie o apoio à PEC dos Precatórios. O anúncio foi feito pelo ex-governador do Ceará no Twitter. 

“Há momentos em que a vida nos traz surpresas fortemente negativas e nos coloca graves desafios. É o que sinto, neste momento, ao deparar-me com a decisão de parte substantiva da bancada do PDT de apoiar a famigerada PEC dos Precatórios. A mim só me resta um caminho: deixar a minha pré-candidatura em suspenso até que a bancada do meu partido reavalie sua posição”, escreveu.

“Temos um instrumento definitivo nas mãos, que é a votação em segundo turno, para  reverter a decisão e voltarmos ao rumo certo. Não podemos compactuar com a farsa e os erros bolsonaristas. Justiça social e defesa dos mais pobres não podem ser confundidas com corrupção, clientelismo grosseiro, erros administrativos graves, desvios de verbas, calotes, quebra de contratos e com abalos ao arcabouço constitucional”, completou Ciro. 

Sobre a PEC dos Precatórios

A Câmara dos Deputados aprovou, no início da madrugada desta quinta-feira (4), o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. Foram 312 votos de deputados favoráveis, contra 144 - quatro votos a mais que o mínimo necessário (308) para a aprovação em Plenário.

Os parlamentares ainda precisam votar os destaques (sugestões para alterar o texto proposto), o que deve ser feito ainda nesta quinta ou na próxima terça (9), segundo o presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL). A proposta também precisa ser aprovada em segundo turno para depois seguir para o Senado.

A proposta é a principal aposta do governo para garantir o financiamento do Auxílio Brasil de R$ 400, substituto do Bolsa Família, anunciado ainda para este ano e também durante o ano de 2022. O novo benefício será pago para 17 milhões de brasileiros, mas não inclui grande parte dos que eram assistidos pelo Auxílio Emergencial até outubro.

O texto da PEC permite que o governo não pague R$ 44,6 bilhões previstos para os precatórios no orçamento de 2022, abrindo um espaço de R$ 91,6 bilhões no orçamento, dos quais R$ 50 bilhões seriam destinados ao novo programa social e R$ 24 bilhões para ajustar os benefícios vinculados ao salário mínimo.