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Moreira Franco reconhece diálogo entre ala do MDB e Lula para 2022

Ex-ministro de Temer e ex-governador do Rio analisou cenário eleitoral para 2022 no BandNews TV

Da Redação, com BandNews TV 23/09/2021 • 00:57 - Atualizado em 23/09/2021 • 01:03

Velho conhecido do MDB, o ex-ministro e ex-governador do Rio Moreira Franco fez uma análise do cenário eleitoral na disputa pela presidência da República, em 2022, ao Ponto a Ponto, programa da jornalista Mônica Bergamo e o cientista político Antônio Lavareda no BandNews TV desta quarta (22).

Apesar das articulações, o emedebista ainda não vê nomes concretos para a chamada “terceira via”, de oposição a Lula e Jair Bolsonaro, que lideram pesquisas de intenção de voto. Franco admitiu que existe uma ala do MDB que dialoga com o petista e que vê sua candidatura como “muito concreta”.

“Acho que pela história que nós temos, pelo que eu conheço do partido, existe dentro do PMDB, e o próprio Lula tem conversado com essas pessoas que veem na candidatura do Lula é uma hipótese muito concreta, muito real. Até porque a ideia de uma terceira via é uma ideia que não surge da vontade da pessoa, surge de um processo político, de uma afirmação de uma proposta”, disse o ex-ministro.

Para Franco, o desafio de uma possível volta de Lula ao Planalto seria de governabilidade, já que ele entende que parte da opinião pública já “absolveu” o ex-presidente, mas não o PT, pela pecha de corrupções e irregularidades nas quais o partido se envolveu nas últimas décadas e que ainda causa grande desconfiança em boa parte dos brasileiros. Isso também passa, de acordo com ele, com a formação de uma base favorável no Congresso.

Pontuando sobre Bolsonaro, Franco analisa que o presidente “não mudou”, o que gera boa lealdade e engajamento de seu eleitorado que permanece o apoiando. Contra ele, na análise de Moreira Franco, está a grave crise econômica pela qual o Brasil passa.

“Ele tem uma capacidade de comunicação enorme. As pessoas ficam dizendo que é fake news, mas ali ele não está discutindo se é verdade ou não. Ele está tomando conta do debate”, avaliou.

Ele diz que a polarização só interessa aos dois e gera uma desorganização institucional no Brasil por conta da radicalização da discussão dos dois polos. Por fim, defendeu um caminho natural para a terceira via, mas não uma busca que ele qualificou como “alucinada” para formar um palanque de campanha viável.

“Candidatura não é uma vontade pessoal. Candidatura tem um lastro social, tem que ter uma biografia, experiência e sobretudo, um projeto, um programa”. afirmou.

Moreira Franco nega golpe em contra Dilma

Analisando o seu papel e o do MDB, que tinha Temer como vice de Dilma até o rompimento que culminou o impeachment da presidenta, Moreira Franco disse que todos os presidentes eleitos após a Constituinte de 1988 “tiveram que conversar sobre o impedimento” por atuações de suas respectivas oposições.

“Do ponto de vista específico, não houve um golpe contra a Dilma. Os mais entusiasmados com a ideia do golpe, para ser real, ele deve usar ‘houve um contragolpe'. Porque quem deu o golpe, para usar a linguagem do golpe, foi a Dilma. O que estava todo mundo esperando é que ela ficaria quatro anos e que, quatro anos depois, o Lula voltaria. Até porque na campanha da Dilma, a primeira campanha, o candidato que estava no palanque era o Lula. O Lula tinha 80% de aceitação popular, então ele era o candidato. E a expectativa que todo mundo tinha é que quatro anos depois voltaria”, defendeu, dizendo que a petista se afastou da base com Lula e que a questão precisa ser posta em sua “verdade histórica”.

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