Economia

Guedes espera que Brasil "se livre da inflação antes das economias avançadas"

Ministro da Economia participou do painel sobre o endividamento global no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça

Bernardo Caram, da Reuters 25/05/2022 • 11:22 - Atualizado em 25/05/2022 • 11:57
O ministro da Economia, Paulo Guedes
O ministro da Economia, Paulo Guedes
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Na manhã desta quarta-feira (25) o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil “vai se livrar da inflação e crescer antes das economias avançadas”. Ele também mencionou que o país se adiantou na redução de estímulos fiscais e na implementação de uma política monetária contracionista.  

Durante o painel sobre o endividamento global no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Guedes reafirmou que bancos centrais de todo o mundo dormiram ao volante, colocando o Brasil como exceção.

“Fizemos política fiscal contracionista, política monetária contracionista, o BC está bem à frente da curva”, disse.

A inflação no Brasil segue em alta e ainda não deu sinais concretos de recuo. O IPCA-15 subiu acima do esperado e registrou o resultado mais intenso para maio em seis anos, com a taxa acumulada em 12 meses bem acima de 12% e no maior nível em 18 anos e meio.

No evento, Guedes voltou a dizer que o Fundo Monetário Internacional (FMI) errou projeções para o desempenho da economia e dos dados fiscais do Brasil, citando previsão de que a dívida bruta do país poderia superar 100% do Produto Interno Bruto (PIB), o que não ocorreu -- hoje está em 78,5% do PIB.

O ministro explicou que o governo brasileiro retirou estímulos fiscais ainda durante a pandemia de Covid-19, ressaltando que a política monetária no país também se adiantou em relação a outras nações.

Segundo ele, países que hoje trabalham para retardar a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como França e Bélgica, deveriam apoiar o acesso antes que se tornem irrelevantes para os brasileiros.

O ministro citou como exemplo o forte crescimento do comércio do Brasil com a China nos últimos anos, enquanto a França aumentou pouco essa participação. “Hoje nosso comércio com a China é de 100 bilhões de dólares, com a França é de US$ 7 bilhões, é irrelevante para nós”, afirmou.