Eleições

Aliança de Russomanno com Bolsonaro é alvo de críticas durante debate em São Paulo

Karen Lemos 02/10/2020 • 01:09 - Atualizado em 02/10/2020 • 01:20
Márcio França, Celso Russomanno e Arthur do Val
Márcio França, Celso Russomanno e Arthur do Val
Kelly Fuzaro/Band

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Celso Russomanno (Republicanos) foi o mais escolhido para as perguntas diretas no debate eleitoral de São Paulo - promovido pela Band nesta quinta-feira, 1º - e teve como alvo de críticas sua tentativa de aproximação e aliança com o presidente da República, Jair Bolsonaro. 

A candidata Joice Hasselmann (PSL), ex-aliada de Bolsonaro, questionou Russomanno sobre a delação da Odebrecht. "O senhor disse que defende o consumidor enquanto é delatado por receber dinheiro sujo de forma ilegal", afirmou. O candidato do Republicanos negou as acusações e criticou a adversária da corrida eleitoral. “Eu saio às ruas dando cara a tapa, você nunca foi as ruas de São Paulo, seu título de eleitor foi transferido recentemente para cá. Desafio a mostrar quais processos existem a meu respeito; você está mal nas pesquisas e tenta me atacar inventando coisas”, pontuou, ao que Joice responder que as informações sobre denúncia de corrupção envolvendo Russomanno “estão à disposição no Google”.

Joice Hasselmann questiona Russomanno sobre a delação da Odebrecht:

Arthur do Val (Patriota) foi um dos que criticaram a tentativa de aproximação do candidato com Jair Bolsonaro. “Sempre tenta se aliar com quem está no poder”, disse. Orlando Silva (PCdoB) usou a mesma linha para o embate, citando o programa de Russomanno aos moldes do auxílio emergencial do governo federal. “Fico perplexo que você diz que Bolsonaro dará dinheiro como se fosse um amigo. Não é dinheiro de rachadinha, viu, tem que ter regras”. 

Em sua resposta, Russomanno pontuou que quem tem problema com Bolsonaro deve levar isso para a eleição de 2022. “Estamos falando de São Paulo, onde se paga juros exorbitantes para a dívida com o governo federal, não estou inventando nada, mas de renegociar essas dívidas e ter dinheiro para atender famílias de baixa renda”. 

Guilherme Boulos também elegeu Russomanno para pergunta direta e usou a oportunidade para críticas ao adversário. “Pega mal você puxando o saco do Bolsonaro toda hora. Porque você fala fino com os poderosos e grosso com o povo?”, questionou. “Você incentiva invasões em casas de pessoas, é contra reformas, é isso o que você fará na prefeitura?”, rebateu o candidato do Republicanos. 

Polarização 

O atual prefeito da cidade, Bruno Covas (PSDB) – que tenta a reeleição – também foi alvo de críticas, principalmente nos embates que mostraram que a polarização de 2016 e, principalmente, de 2018, ainda permanece. 

Andrea Matarazzo (PSD), por exemplo, falou que a gestão de Bruno Covas administra mal o dinheiro da prefeitura com obras que considera desnecessárias, como no Vale do Anhangabaú, ao invés de investir em corredores de ônibus. 

Em resposta, Covas lamentou que uma pessoa inteligente como Andrea tenha “ficado tão amargo graças às derrotas que acumulou ao longo dos anos. “Não sai bem ficar falando mal da cidade de São Paulo, e nem postar imagens de alguém que invadiu uma obra inacabada. O novo Vale do Anhangabaú será um exemplo para a cidade”, disse o atual prefeito. 

Jilmar Tatto, do PT, exaltou os anos do partido na administração municipal e criticou a gestão tucana em São Paulo. “Você vai deixar R$ 4 bilhões para os empresários de ônibus neste ano. Eu vou instituir o passe livre para desempregados [no transporte público]”, pontuou. Covas respondeu que o Tatto teve sua chance quando era secretário de Transportes e não implantou nada disso. “O que o PT sabe é acabar com o que os outros começaram e dar cargos para a companheirada. Imagina se ele ganha a eleição e traz Dilma [Rousseff] para um carguinho aqui na Prefeitura?”, rebateu Covas. 

Joice Hasselmann (PSL) também recorreu à polarização para o embate com Orlando Silva (PCdoB). “Quero perguntar para o comunista, a esquerda esteve no poder e quase levou o País a falência, qual é o seu plano”? Orlando devolveu que foi ministro do ex-presidente Lula que, em oito anos, criou mais de 10 milhões de empregos. “Para o drama de São Paulo, tenho um plano de emergência de emprego e renda retomando obras públicas”, acrescentou. 

Assista ao debate na íntegra: