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Primeiro turno é marcado por longas filas e voto depois das 17h

A votação acabou por voltas 23h em algumas cidades do estado do Rio.

Felipe de Moura*

Filas longas em um local de votação no Recreio, na Zona Oeste do Rio.
Filas longas em um local de votação no Recreio, na Zona Oeste do Rio.
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As eleições de ontem (2) ficaram marcadas por longas filas e votação depois do horário oficial de encerramento, às 17h. Principalmente na Região Metropolitana do Rio e na Baixada Fluminense, a movimentação de eleitores foi intensa.

Apesar da sensação de que tinha mais gente votando nesse ano por conta das zonas eleitorais cheias, o número de abstenções de 2022 foi maior do que o registrado no estado nas últimas duas eleições presidenciais.

Nesse ano, 22,76% do eleitorado não compareceu as urnas no Rio, quase 3 milhões de eleitores. Em 2018 e em 2014, o índice foi de 20%. Em relação aos votos brancos, o número foi parecido ao das últimas eleições, quase 6%. 9% dos fluminenses ainda anularam o voto.

“Eu fiquei mais de 1 hora para votar. Tenho 54 anos e nunca aconteceu de eu ficar tanto tempo em uma fila nas eleições. Eu vi gente até desistindo de votar quando chegava no lugar e via as filas”, disse Shirley Ferreira, que votou em uma escola municipal no bairro de Vargem Pequena, na Zona Oeste do Rio.

Em algumas cidades do Rio de Janeiro, a votação acabou perto das 23 horas. Para evitar as longas filas no segundo turno, o Tribunal Regional Eleitoral vai fazer um treinamento maior com os mesários. De acordo, com o TRE o sistema de biometria e os cinco cargos que precisavam do voto, podem ter feito que o tempo de espero aumentasse.

“Ninguém quer que eleitor permaneça horas para votar. O principal motivo, além da biometria, foi a complexidade da votação, os vários cargos. O eleitor se esqueceu de anotar e chegou na hora e se atrapalhou um pouco. Faltou uma gestão de dinâmica das filas. O mesário não nasce sabendo. Precisa de um treinamento melhor. O treinamento foi dado, mas se verificou que o treinamento não foi suficiente para tirar as dúvidas”, disse Helton Leme, desembargador e presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio.

O segundo turno das eleições presidenciais acontece no dia 30 de outubro. Como o governador Cláudio Castro se reelegeu no primeiro turno, os fluminenses vão às urnas para votar apenas para presidente da república, na disputa entre Luis Inácio Lula da Silva, do PT e Jair Bolsonaro, do PL.

“O importante é que todos compareçam para votar, esse é o grande sucesso de uma eleição. Agora, nós aprendemos muito com esse primeiro turno. Já foi um treinamento intensivo para os mesários. Nós vamos nos reunir entre hoje e amanhã para avaliar os pontos que podem ser melhorados do ponto de vista da dinâmica das filas, de que forma a gente pode contornar e tornar a eleição mais rápida e eficiente”, complementou o presidente do TRE.

ELEIÇÃO TEVE 43 OCORRÊNCIAS

Ao longo do dia da eleição, foram registradas 43 ocorrências, sendo 34 da Polícia Civil, 8 da Polícia Federal e uma da Polícia Rodoviária Federal. Do total, 31 foram motivadas pelo crime de boca de urna.

Das oito ocorrências registradas pela PF, 6 foram boca de urna, sendo 4 na capital fluminense, 1 em Angra dos Reis e 1 em Petrópolis. Uma pessoa foi presa por agentes da PF em Campo dos Goytacazes, na Região Norte Fluminense, por violação de sigilo. Também houve 1 ocorrência por promover desordem dos trabalhos eleitorais.

Uma pessoa foi presa pela Polícia Rodoviária Federal por compra de voto em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Das 34 ocorrências da Polícia Civil, 31 foram de boca urna, sendo uma de candidato. Também aconteceu uma anotação de dano por um ônibus ter sido alvejado em Carapebus, no Norte Fluminense. Ainda houve 1 ocorrência por corrupção eleitoral e outra por votar ou tentar votar no lugar de outra pessoa.

Em relação às urnas, de acordo com o último boletim do TRE, às 22h12 de ontem (2), houve substituição dos equipamentos em 1,7% das seções eleitorais do estado do Rio de Janeiro. Isso equivale a 585 das mais de 34 mil urnas utilizadas nas seções fluminenses. O TRE considera normal o percentual de até 3% de troca.

O esquema de segurança no Rio contou com 17 mil policiais militares, helicópteros e veículos blindados.

*Sob supervisão de Natashi Franco