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Cantor Belo relembra noite na prisão e chora: "Não quero reviver isso"

Da Redação, com Melhor da Tarde 26/02/2021 • 18:37

O jornalista Leo Dias entrevistou o cantor Belo pela primeira vez após a prisão devido a um show realizado no Complexo da Maré, no fim de semana de Carnaval. No programa desta sexta-feira, 26, o Melhor da Tarde exibiu trechos da reportagem, cedidas pelo jornalista. Na conversa, Belo falou sobre a noite que passou preso

“Estou sem dormir até agora. Não quero reviver isso, não quero viver mais isso na minha vida. Isso, para mim, é um pesadelo. Parecia que eu estava vivendo uma coisa que eu não conseguia acordar em nenhum momento e eu não saiba porque eu estava ali”, disse o cantor. 

Ser detido novamente reviveu fantasmas do passado de Belo, que foi preso pela primeira vez em maio de 2002, quando passou 37 dias na Delegacia Antissequestro – e em novembro de 2004. Nesta ocasião, ele chegou a ser condenado a oito anos em regime fechado pelos crimes de tráfico de drogas e associação ao tráfico. 

Em 2007, Belo conseguiu o direito à liberdade condicional. O pagodeiro só ficou libre da pena em março de 2010, quando a Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro concedeu um indulto a ele. 

“Sabe o que eu acho que deve passar na cabeça dele também? A filha, que há pouco tempo também foi presa. Não estou questionando o que ele fez, estou falando de quanto é uma situação complexa para ele”, comentou a apresentadora Catia Fonseca.  

Entenda o caso

O cantor Belo foi preso no inquérito que apura a realização de um show no Complexo da Maré, na zona norte da capital fluminense, no dia 17 de fevereiro. A apresentação contou com a presença de milhares de pessoas em meio à pandemia do coronavírus.

O artista foi solto após a Justiça do Rio de Janeiro aceitar um pedido de habeas corpus da defesa dele. O cantor vai responder pelos crimes de epidemia, infração de medida sanitária, invasão de prédio público e organização criminosa. 

O desembargador Milton Fernandes de Souza, do Tribunal de Justiça, concedeu a liminar alegando que a representação da Polícia Civil pela prisão só aconteceu quatro dias após o evento e que o próprio Ministério Público deu parecer afirmando que não havia urgência para a decretação de prisão preventiva pelo Plantão Judiciário.

O magistrado finalizou a decisão dizendo que o juízo natural irá apreciar a questão com mais elementos. A Polícia Civil investiga se o chefe do tráfico de drogas da comunidade autorizou a invasão do colégio.

O evento foi realizado no interior de uma escola estadual na favela Parque União, no dia 12, e não teve autorização da Secretaria Estadual de Educação. Segundo o delegado Gustavo Castro, responsável pelo caso, o evento foi custeado pelo tráfico de drogas local. As salas de aula foram usadas como camarotes.

Belo prestou depoimento na Delegacia de Combate às Drogas logo após a prisão. Na saída da unidade, Belo afirmou que não sabia o que fez de errado já que só estava trabalhando. A Polícia Civil cumpriu outros três mandados de prisão preventiva, além de cinco de busca e apreensão

Uma das buscas foi realizada na sede da produtora Série Gold, organizadora do evento, também em Angra dos Reis. Além do artista, dois produtores do evento também foram presos.

Durante a ação, a Justiça decretou o bloqueio das contas bancárias dos investigados. O chefe do tráfico do Parque União, Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, também alvo da operação, segue foragido. 

Na casa de Belo, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, os agentes apreenderam duas armas com os registros vencidos, R$ 40 mil, além de euros e dólares, também em espécie.

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