Cachorrinha Ruby Fofa é motodog celebridade do delivery nas ruas de SP

Conheça a história da doguinha, que é o primeiro pet da vida do tutor Miguel, motoboy que agora atua como ativista da causa animal

Meu Amigo É o Bicho!

Juliana Finardi é jornalista e é mãe de pet. Já escreveu para o UOL e jornais impressos como Agora SP, Diário do Grande ABC e outros tantos entre reportagem e edição. Ainda acredita na humanidade, mas acha que pet é melhor que muita gente

Ruby e Miguel passam 24 horas juntos
Ruby e Miguel passam 24 horas juntos
Divulgação

Não tem um dia que o Miguel passe sem receber um pedido de ajuda para ensinar um cãozinho a andar na moto com seu tutor. Você pode não acreditar, mas o motoboy mais famoso de São Paulo não faz a mínima ideia de como fazer um doguinho subir na magrela motorizada para aproveitar momentos de passeio e liberdade com seu humano.

Muita gente acredita nessa habilidade ‘adestradora’ de Miguel Pereira de Souza Jr, 53 anos, porque é ele o motociclista celebridade das ruas e redes sociais que tem como companheira de trabalho no delivery a motodog Ruby Fofa, uma simpática, inteligente e super amorosa cachorrinha de 11 anos que, pasmem, aprendeu sozinha a subir e permanecer na moto durante os rolês e trabalhos do Miguel quando ainda era uma jovenzinha.

Ele garante que nunca nem tentou ensinar nada para ela. Sempre quando ele chegava em casa após o dia de trabalho, ela vinha correndo encontrá-lo e subia na moto. “Assim como um pai leva a criança para dar uma voltinha, eu comecei a andar com ela na minha rua, percurso que depois aumentou para o quarteirão e logo em seguida para o bairro”. E foi daí para o trabalho primeiro somente aos finais de semana e depois para o dia a dia mesmo.

De capacete, jaqueta de couro ou roupinha especial e mini bag nas costas, ela acompanha o tutor no trabalho e em quase todos os lugares para onde ele vai. E se não pode ir, como em uma recente consulta médica de Miguel, ela fica em casa esperando ansiosa pelo retorno do moço. Na ausência dele, ela não come, não brinca nem faz mais nada a não ser aguardar. 

A história desses dois, aliás, é cheia de agradáveis surpresas que beiram ao fantástico surpreendente contado pelas palavras que saem da boca de Miguel cheias de emoção e carregadas de muito amor pela “Rubyzinha”. Só na entrevista para esta coluna, parei de contar na terceira vez em que Miguel embargou a voz para falar da filha canina. Fofurômetro explodindo por aqui!

Coisas de pai apaixonado e convertido em defensor ferrenho da causa animal. O moço atua, inclusive, junto a políticos que têm os pets como principais bandeiras. Apesar de ainda fazerem entregas juntos, o delivery hard, aquele que não parava nem um minuto durante a pandemia, virou um hobby mais esporádico, até porque, de acordo com o próprio Miguel, a Ruby já é uma jovem senhorinha e tem preferido manter-se menos atarefada para preservar sua saúde.

Daquele tempo, quando só circulavam “cachorros e motoboys” pelas ruas da cidade, a época do lockdown severo, ficaram as memórias do rapaz que começou a andar com saquinhos individuais de ração na baggy do delivery para ajudar moradores de rua e seus cãezinhos que não tinham o que comer.

É dele a ideia de um projeto para incluir o “bom pote” no programa “Bom Prato”, que busca proporcionar refeições de qualidade e saudáveis a preços acessíveis  em atendimento às necessidades da população em situação de vulnerabilidade social. . “Eu vi um morador de rua comprar uma marmita, sentar-se na rua e dividi-la com seu doguinho. Aquilo me comoveu muito e comecei a andar com porções individuais de ração.”

A intenção de Miguel, além de ter sido muito bem recebida pelo deputado estadual Rafael Saraiva, que transformou a ideia em um projeto de lei, já se propagou São Paulo afora e muita gente faz questão de parar o moço na rua só para dizer que passou a andar com saquinhos de ração no carro para oferecer aos cãezinhos que não têm o que comer.

Não é de hoje que a Ruby mudou a vida do Miguel. Desde o dia em que a ex-namorada do motoboy encontrou a cachorrinha debaixo do carro em uma noite chuvosa (e resolveu cuidar da bichinha), já estava escrito que os dois seriam parceiros de jornada. O Miguel nem sabia mas nascia ali um dos maiores amores que ele já sentiu na vida (e não estou falando da namorada). Por incrível que pareça, a Ruby é o primeiro pet da vida do Miguel, 53 anos, porque a mãe dele nunca gostou de animaizinhos.

“Nunca tive bicho, minha mãe odiava cachorro. Hoje sou um ativista na causa animal e tenho uma ligação muito forte e incomum com a Ruby. Somos grudados 24 horas, ela acorda comigo e andamos o dia todo juntos. Vivo em função da nossa história. Ela me ensinou a amar os animais e enxergá-los com outros olhos. Hoje tenho essa missão de proteger os bichinhos”, diz, mais uma vez emocionado.

Aquela vida quando ele usava o pouco que ganhava para comprar um saco de ração e distribuir entre os animaizinhos na rua já é passado. Hoje, patrocinado por uma marca de ração (que já vem em porções individuais), ele faz muitas doações para quem necessita e segue com projetos em prol dos pets. Ele e Ruby têm uma marca própria de produtos pet (@lojinha.rubyfofa, no Instagram) e também contam com os patrocínios de uma marca de capacetes, outra de motos e um sem fim de produtos. Também, claro, já foram garoto e garota propaganda do maior aplicativo de delivery de comida do país, o Ifood.

Nas redes sociais, os perfis que divide com a filha doguinha (@rubyfofa no Instagram e @rubyfofa1 no Tik Tok), já somam quase 600 mil seguidores, número que só cresce.

Para o futuro, os planos são incontáveis: desde registrar uma marca no Guiness Book, o livro dos recordes, como a cachorrinha que fez mais entregas, até escrever um livro com a história toda. Por ora, o moço aprende aos poucos como funciona o mundo da política e como pode ajudar cada vez mais os animais. A Rubyzinha, como ele gosta de chamá-la, segue sendo a principal companheira e a maior preciosidade que um humano pode pensar em ter. Vida longa e próspera à dupla mais querida de motoboy e motodog de São Paulo!