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Entenda por que Anitta perdeu seguidores ao abordar candomblé em novo clipe

"Eu ainda fico assustada por ver como o ser humano tá cada mais intolerante", declarou ela após o anúncio do lançamento

Da Redação

Anitta no clipe de "Aceita"
Anitta no clipe de "Aceita"
Reprodução/ Instagram @anitta

Anitta anunciou o lançamento do clipe “Aceita", música que fala sobre sua experiência religiosa com o Candomblé e acabou decepcionada com a reação de alguns fãs. A cantora usou as redes sociais para desabafar sobre intolerância religiosa e revelou que perdeu milhares de seguidores em poucas horas após publicar algumas imagens de divulgação da nova canção. 

Por que Anitta perdeu seguidores?

Tudo começou quando a cantora compartilhou algumas fotos no terreiro e anunciou o lançamento da música. Na legenda, ela escreveu a sinopse da Unidos da Tijuca sobre o Carnaval de 2025, que será dedicado ao orixá de Anitta - Longun Edé. 

"Eu sou Longun Edé. O grande príncipe herdeiro da raça dos meus pais! Tenho a sensibilidade e a inteligência de minha mãe e a bravura e a esperteza de meu pai. Caçador e pescador, sou minha própria natureza", começou na legenda do post feito no seu perfil do Instagram.

"Sou o único capaz de reunir todos os mundos. Sou o equilíbrio entre os homens e as mulheres. Sou cultuado nos axés do Brasil. Com Severiano, ergui, na Bahia, a casa do Kalé Bokum. Com Zezito, minha força chegou ao Rio de Janeiro, onde desembarquei com a Corte Real Ijexá. Estou presente em todos aqueles que reconhecem que sou “santo menino que velho respeita”, como falou Mãe Menininha do Gantois", acrescentou em seguida.

Após a publicação, a famosa usou os stories para compartilhar uma indignação: "Perdi 100 mil seguidores após anunciar o clipe que vou mostrar minha religião. Laroyê Exu tirando dos meus caminhos tudo que já não me serve mais. Nessa minha nova fase escolhi qualidade e não quantidade. Axé", escreveu. Anitta perdeu muitos outros seguidores logo em seguida. 

Anitta respondeu aos intolerantes

Após ser vítima de intolerância religiosa, a cantora fez um vídeo ao vivo com os fãs nas redes sociais e desabafou sobre a importância do projeto e sobre os ataques baseados em sua religião.

Eu ainda fico assustada por ver como o ser humano tá cada mais intolerante, declarou ela.

Ela disse que sempre teve uma relação plural com a fé e que também respeita outras religiões. "Sou a favor de todas as religiões. Eu não sigo minha religião por medo de nada", afirmou a artista.

Após perder milhares de seguidores, a cantora observou: "Ninguém é obrigada a me seguir, mas agora, você não gostar mais porque sou macumbeira. É uma intolerância. É não tolerar, não querer ver, assistir, excluir", afirmou ela.

Anitta disse que não apagará os comentários com intolerância religiosa feitos na publicação. "Eu acho importante manter lá para as pessoas verem que existe, que tá aí (a intolerância), e que precisa ser combatida", diz.

Ela ainda contou que o clipe envolve todas as crenças: "Eu quis mostrar todas as religiões coexistindo. Tem cristão, judaísmo, umbanda, cartomante. Tudo o que a gente faz para ser melhor, abraçar o outro... a religião tá ali para a gente cuidar da nossa espiritualidade". A poderosa ainda disse que não sente raiva dos ataques, tendo em vista que só estava tentando ajudar as pessoas a serem melhores. 

Anitta ainda falou que não se importa mais com quantidade. “Se isso significar que em vez de fazer show para 20 mil pessoas, vou fazer para 5 mil, está tudo bem, faço feliz. Com exatamente o tipo de música e o estilo que quero fazer. Acho que são fases da vida”, explica. 

Houve uma fase em que valorizei muito o material, a quantidade, o tamanho, ser a mais bombada, a mais falada, a número um. Hoje estou valorizando estar em paz dentro de mim e ter tempo de praticar a minha espiritualidade. Antigamente vivia com a casa cheia, agora conto nos dedos quem eu chamo e o mesmo faço pra minha carreira neste momento, comentou.

Lançamento antecipado de “Aceita”

Na manhã desta terça-feira, 14 de maio, Anitta anunciou o lançamento do clipe da música “Aceita”. Ela adiantou o lançamento da canção, afirmando que não podia mais esperar — a estreia estava prevista para o dia 15 de maio. “Para você que gosta do meu trabalho, espero que curta esse clipe, que foi feito com muito amor, assim como todo meu álbum”, começa. 

Estamos aqui vivendo no mundo material e o maior segredo da vida é encontrar o equilíbrio entre o espírito e a matéria. Minha vida é buscar esse equilíbrio. Então, se nos outros vídeos, a gente só rebolou a raba e falou sacanagem, nesse a gente pode se arrepiar, ou até mesmo, se emocionar, completa. 

Na legenda da publicação, a famosa ainda reiterou: “Meu novo clipe traz imagens de vários tipos de crenças. Tenho uma paixão profunda por diferentes manifestações da fé, diferentes formas de me conectar com o espírito. Em nenhuma delas sinto que quando morrermos seremos punidos e julgados, sinto que vamos pra onde esteja vibrando a mesma frequência que o meu espírito. E aqui, nessa vida, meu compromisso comigo mesma é vibrar na frequência de maior luz que eu conseguir”.

Qual é a diferença de umbanda e candomblé?

Na rica tapeçaria das tradições religiosas brasileiras, duas vertentes se destacam: Umbanda e Candomblé. Ambas enraizadas na herança africana e moldadas pela miscigenação cultural do Brasil - mas afinal, qual a diferença entre elas?

O Candomblé, originado principalmente entre os povos iorubás da África Ocidental, foi trazido para o Brasil pelos escravos durante o período colonial. É uma religião politeísta, onde divindades conhecidas como orixás são adoradas e cultuadas.

A Umbanda, por sua vez, surgiu no Brasil no início do século XX, influenciada pelo espiritismo kardecista, pelo catolicismo e pelas tradições indígenas, além do Candomblé. Ela incorpora uma variedade de práticas espirituais, como a mediunidade e a comunicação com os espíritos.

No Candomblé, os orixás são centrais. Cada orixá governa sobre aspectos específicos da vida humana e da natureza, e são reverenciados por meio de rituais elaborados, como o sacrifício de animais e danças rituais.

Na Umbanda, há um sincretismo religioso mais pronunciado. Além dos orixás, há também a figura dos guias espirituais, que podem ser espíritos de ancestrais, entidades da natureza ou até mesmo personalidades históricas. A crença na reencarnação e na evolução espiritual é fundamental na Umbanda.

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