Masterchef

Vencedora do MasterChef, Fernanda diz que sempre viveu em função dos outros: "Estar aqui é um ato de empoderamento"

Stefani Sousa 30/09/2020 • 00:49 - Atualizado em 30/09/2020 • 01:48
Fernanda vence o episódio 12 do MasterChef
Fernanda vence o episódio 12 do MasterChef
Carlos Reinis/Band

Todo mundo tem um sonho do qual não desiste até conquistar. Para a cozinheira amadora Fernanda, de 37 anos, vencer o 12º episódio do MasterChef 2020 nesta terça-feira, 29, foi exatamente isso. Como se casou cedo e viveu a maternidade ainda muito jovem, ela passou a vida abrindo mão dos próprios planos pela vontade dos outros, mas encontrou na gastronomia um jeito de se reinventar. “O MasterChef é um aliado nessa história de alguém que começou tarde, mas agora consegue ser vista e mostrar a que veio. Estar aqui é um ato empoderamento”, comemorou em entrevista ao Portal da Band, depois de levantar o troféu do talent show.

Quando dizem que nunca é tarde para recomeçar, Fernanda é a prova viva disso. Nascida em São Paulo, ela sonhava em fazer Educação Física na adolescência, mas decidiu cursar Direito por vontade do pai. Aos 20 anos, se apaixonou por um homem 14 anos mais velho, com quem se casou e teve dois filhos, Julia, de 15 anos, e Lucas, de 13. “Muito nova virei mãe e não podia mais fazer só as minhas escolhas, né? Elas tinham que caber naquela caixinha de ser mãe e esposa. Sempre achei que tinha potencial para alcançar grandes coisas, mas me sentia limitada, não aceitava essa condição de não fazer nada. Não aceitava a condição de dona de casa”, conta ela, que até chegou a abrir uma imobiliária depois que os filhos nasceram, mas logo fechou as portas.

Nesse tempo cuidando da casa, a paulistana, que costumava queimar o arroz quando morava com os pais, encontrou prazer na cozinha.  “Quando comecei a me relacionar com o meu marido, passei a ir mais em restaurantes, isso foi a virada de saber cozinhar para amar cozinhar. Vim de uma família da periferia e não conhecia esse universo”, afirma. Com novos ingredientes no repertório, decidiu se arriscar reproduzindo pratos em casa. O resultado fazia sucesso!

Em 2017, já com os filhos crescidos, encontrou seu propósito em duas áreas: o esporte e a gastronomia. O desejo de fazer Educação Física na adolescência se transformou em energia nas quadras de tênis. Fernanda se tornou atleta amadora federada pelo Corinthians. “A gente joga entre clubes e compete pela federação, mas não ganha dinheiro. O esporte tem uma importância muito grande na minha vida, de competição, disciplina com aquilo que me toca”, diz. Já a paixão pela cozinha ganhou força e a possibilidade de ser levada mais a sério. E por que não participar do MasterChef?

Assim que colocou na cabeça que poderia disputar, se jogou nos estudos. “Fui me interessando mais pelo universo e vi que era algo que queria fazer para o resto da minha vida. Tudo virou gastronomia há dois anos”, conta. Em 2018, tentou se inscrever pela primeira vez e nunca mais desistiu, até levar hoje o troféu para casa. “É a primeira vez nesses 37 anos que as minhas escolhas foram totalmente livres, inclusive quebrando até meu próprio preconceito. Porque para alguém que estudou Direito e tinha a ambição de se tornar juíza, ter que assumir que quer ser cozinheira era um preconceito, mas agora eu me orgulho muito.”

Toda essa dedicação de Fernanda apareceu na primeira prova, quando preparou o pavê de chocolate pedido por Dilsinho na Caixa Misteriosa. Apesar de chamarem atenção para alguns detalhes, todos os chefs elogiaram a sobremesa. “A ganache está um pouco firme. Se não fosse a textura, estaria perfeito. Você sabe o que está fazendo, conhece as técnicas”, pontuou Fogaça.

Já no segundo desafio ela preparou um frango indiano com especiarias e arroz basmati, que conquistou o paladar dos jurados. “Você fez um prato MasterChef. Lindo e gostosíssimo. Sem defeitos. Nada a acrescentar ou tirar”, disse Paola. “Está uma delícia”, concordou Jacquin.

Esses comentários fizeram Fernanda ter certeza de que está colhendo os frutos de toda a dedicação e estudo dos últimos anos. “Sei que tenho que aprender muito, vou ter que lavar muito prato. Eu reconheço quão valioso é ganhar esse troféu, mas sei também o meu lugar nesse universo. Ainda estou engatinhando, mas a minha sede é de aprender. Vou usar todas as oportunidades que surgirem”, diz. Arrase, Fer!