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Por que vale a pena assistir aos filmes 'Tempo' e 'Ana. Sem Título'? Flavia Guerra explica

Dois filmes foram as indicações da semana da colunista de cinema da BandNews FM

Flavia Guerra, com BandNews FM 02/08/2021 • 17:50
"Tempo" é do cineasta M. Night Shyamalan
"Tempo" é do cineasta M. Night Shyamalan
Reprodução

Eu sou do time do cineasta M. Night Shyamalan. A gente vai falar de “Tempo” ou, em inglês, “Old”, que é o novo filme dele. O Shyamalan, para quem não tá lembrado aqui, é o diretor de “Corpo Fechado”, “Fragmentado” e “Sexto Sentido”. Ele é muito “ame ou deixe-o”. Eu sou quem ama, até quando ele não faz os melhores filmes, eu gosto sempre da experiência. E essa tem muito a ver eu com o que a gente sente com o tempo, principalmente nesses tempos de pandemia, que parece que passou um século, depois parece que foi ontem que começou, aí gente fica meio perdido nesse tempo. 

Esse filme novo se chama “Tempo”, não por acaso. Conta a história de uma família. O Gael Garcia, que é um mexicano, faz o pai dessa família. A Vicky Krieps, que é atriz alemã, faz a mãe. Eles estão prestes a se separar, e aí decidem fazer uma última viagem de férias com os dois filhos pequenos para um lugar lindo, paradisíaco. 

Aí eles são escolhidos para fazer um passeio numa praia ali perto do hotel onde estão, numa praia paradisíaca. Nossa, que incrível, você acha que ganhou, tirou sorte grande, tá numa praia maravilhosa. E aí os dois filhos pequenos deles, do nada, se tornam adolescentes. Isso desencadeia numa confusão, claro, como um bom filme de Shyamalan, você não entende nada, no que acontece com o tempo. O tempo começa a passar rápido demais.

E aí há várias situações, eles vão entendendo que lugar é esse, ou não vão entendendo. Se eles podem sair de lá ou não podem, porque que eles foram parar nesse lugar, mas na verdade é tudo eu acho que tem um grande simbolismo, como todos os filmes dele, sobre essa questão de como é que a gente lida com o tempo, com envelhecer, como a gente amadurece ou não. 

É legal que os dois atores que fazem os filhos quando eles estão adolescentes ficam com corpo de adolescente, mas continuam sendo crianças. 

Como eu disse, Shyamalan é sempre uma viagem né? Não dá pra ficar contando muito sobre a trama senão a gente entra aqui em spoilers, mas é uma grande sacada dele aí sobre o tempo, eu acho que ele sempre dá uns nós aí na nossa cabeça. 

Esse filme é baseado numa HQ que se chama “Castelo de Areia”. Foi lançada no Brasil, mas tem terceiro ato que é bem criativo, é bem o fim que ele dá pra essa história. 

Hoje eu tô só no cinema, tá? Os cinemas já estão abrindo e a gente tá vacinado de pouquinho, mas tá, então já dá pra arriscar ir ao cinema.

"Ana. Sem título”, de Lúcia Murat
Esse segundo filme se chama “Ana. Sem título”, é da Lúcia Murat, eu adoro essa diretora brasileira. Esse é uma mistura, por isso que eu acho que é tão gostoso de assistir, de documentário com ficção, ele mistura as duas coisas, essa é uma tendência. Cada vez mais a gente vai vendo diretores fazerem isso. E a Ana, sempre contou histórias de memória, de mulheres, de mulheres incríveis, resistentes. Dessa vez, ela traz a premissa de uma atriz, Stella, que é a Stella Rabello. Ela acha algumas cartas de artistas latino-americanos trocada durante o período dos anos 70 e 80, em que Brasil, Argentina e Chile estavam enfrentando ditaduras. E elas citam uma artista brasileira chamada Ana, só que não tem sobrenome, ninguém sabe como ela foi, quem ela foi.

Como se sabe? Porque elas dizem que foi uma mulher incrível! E elas vão perseguindo essas cartas. A Lúcia Murat tá em cena lendo essas cartas de artistas muito importantes e visitando esses países. Na Argentina são as mães da Praça de Maio, depois elas vão para Cuba, e aí depois vão para o México, Chile, então a gente vai entrando em contanto com a história da América Latina com essa viagem que é uma delícia. 

Adoro filme de viagem! E com a figura dessa Ana, que a gente não sabe quem é, mas é uma grande homenagem às mulheres brasileiras, as latinas que resistiram, as artistas, então é um filme muito gostoso mesmo de assistir e fala muito dessa história, do nosso passado. Brasil é um país que não processa muito bem a sua história.

E no processo, no período de ditadura militar, elas falam muito disso. A gente precisa conhecer nossas histórias.

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