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Rigorosos? Muito brandos? Entenda o trabalho dos comissários na Fórmula 1

Emanuel Colombari 19/11/2021 • 10:53
Imagem: FIA
Imagem: FIA

Nos últimos tempos, o trabalho dos comissários ganhou especial atenção do público na Fórmula 1. Responsáveis por garantir a segurança nas corridas, são eles que avaliam incidentes de prova e, eventualmente, distribuem punições.

O Grande Prêmio de São Paulo é o mais recente exemplo da atuação. Lewis Hamilton conquistou a pole position, mas largou em 20º lugar na corrida sprint depois que o comissariado verificou uma irregularidade na asa traseira de sua Mercedes.

Não foi só. Quinto colocado no sprint, o britânico perdeu mais cinco posições no grid para a corrida principal após uma troca de componentes na unidade de potência, e foi punido com mais cinco posições no grid. Largou em 10º, deu show e venceu - tomando uma multa depois por tirar o cinco de segurança na comemoração.

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Mas nem por isso o trabalho dos comissários da Fórmula 1 acabou. A disputa entre Hamilton e Max Verstappen na 48ª volta da corrida em Interlagos, na qual o holandês da Red Bull teria espalhado na Descida do Lago, chegou a ser avaliado pelos comissários em São Paulo, mas sem resultar em punições.

Mesmo tendo vencido a prova, a Mercedes se incomodou com a manobra. A FIA (Federação Internacional do Automóvel) convocou uma reunião com as partes envolvidas e decidiria, a pedido da equipe alemã, se haveria uma análise da manobra. No fim, o pedido de revisão foi descartado.

Imagem: FIA

Veja bem: toda esta lista diz respeito apenas a um dos 22 GPs da temporada, o que dá a noção do tamanho do trabalho dos comissários na Fórmula 1. Para Felipe Giaffone, comentarista do Grupo Bandeirantes de Comunicação e comissário em diversas categorias ao longo dos anos, o “protagonismo” do comissariado é fruto de uma exigência dos próprios pilotos por mais segurança nas disputas.

“Não é que o critério mudou (agora). Ao longo do tempo, sim. Vem ficando um pouco mais rígido. Mas isso, vamos lembrar, até a pedido dos próprios pilotos. Se você libera, bate demais e também dá confusão. A partir da hora que você começa a punir mais, começa a cometer mais injustiças. Sempre tem aquele incidente que não foi preto no branco. Você acha de um jeito, eu posso achar de outro, e é aí que dá confusão”, explicou, em entrevista ao blog.

“Para falar a verdade, eu gosto da época mais antiga, liberava um pouco mais. Só que os próprios pilotos são contra. A gente precisa lembrar que os carros estão muito rápidos. É sempre uma posição difícil. Eu trabalhei por lá como comissário bons anos e sofri na pele isso aí. Toda vez que você tem uma posição que não é preto no branco, fica complicado.”

E aí vale explicar como é o trabalho dos comissários. Segundo Giaffone, são quatro pessoas em uma sala específica, com acesso a informações diversas sobre as corridas - inclusive colhidas por outros integrantes fora da sala. Diante de incidentes que fujam do roteiro esperado em cada grande prêmio, eles entram em ação.

Imagem: F1/Twitter

“Na sala dos comissários, você tem os quatro comissários, sendo um piloto local e dois internacionais, e mais um cara que fica mexendo em todas as câmeras. Câmera, rádio do piloto, telemetria. A gente tem acesso, nos comissários, a tudo. E para ver isso tão rápido, às vezes esse tanto de informação complica. Você tem que decidir um negócio tão rápido e tem tanta informação para ver que, às vezes, fica bem complicado”, reconhece Giaffone.

Os prazos para a análise de cada incidente são importantes, segundo o comentarista. O tempo quase sempre é curto, mas às vezes pode ser ainda mais curto.

“Cada situação é uma situação. Por exemplo: se você tem uma batida em que os dois carros saem, esquece, não tem porquê de ser rápida essa punição. Mas se é uma punição no final da prova, tem que ser o mais rápido possível para não ter mudança de pódio. Eles pedem sempre para demorar de três até cinco voltas no máximo para sair a punição”, explicou.

Emanuel Colombari

Emanuel Colombari é jornalista com experiência em redações desde 2006, com passagens por Gazeta Esportiva, Agora São Paulo, Terra e UOL. Já cobriu kart, Fórmula 3, GT3, Dakar, Sertões, Indy, Stock Car e Fórmula 1. Aqui, compartilha um olhar diferente sobre o que rola na F-1.