Esportes

Diretor-presidente da Anvisa diz que jogadores argentinos mentiram e descumpriram leis brasileiras

Anvisa interrompeu o jogo após 4 atletas argentinos mentirem e descumprirem a quarentena da Covid-19

Da Redação, com BandNews FM 05/09/2021 • 17:09 - Atualizado em 05/09/2021 • 19:05

O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, conversou ao vivo com Silva Júnior, Bruno Camarão e Fábio França, da BandNews FM sobre a paralisação do jogo entre Brasil e Argentina pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo, neste domingo (5).

Emiliano Martínez, Cristian Romero, Lo Celso e Emiliano Buendía não poderiam ter entrado em campo por serem atletas que atuam na Inglaterra e não cumpriram as medidas sanitárias, que incluem quarentena de 14 dias, antes de entrarem em definitivo no país.

“Nós fizemos nosso papel. Assim que foi constatado que eles omitiram ter estado na Inglaterra, foi ordenada a quarentena e deportação deles do país. A Anvisa tem poder de polícia do Estado para assuntos sanitários”, afirmou odiretor-presidente.  

Os 4 jogadores mentiram em um documento oficial que deve ser preenchido por qualquer estrangeiro que chega ao país e deveriam informar ter estado na Inglaterra há menos de 14 dias.

Segundo Barra Torres, a decisão não foi cumprida a determinação e foram ao estádio. “Desde cedo pontuamos que a Polícia Federal precisava monitorar a situação, justamente por sabermos dessa possibilidade. A PF compareceu ao hotel, identificaram a ausência dos atletas e foram ao estádio”, relatou. A situação foi classificada como lamentável pelo membro da Anvisa.  

Os jogadores serão multados e autuados por descumprirem as leis sanitárias e mentirem em um documento oficial.  O diretor disse que as equipes chegaram ao estádio antes do jogo começar, mas não soube dizer por qual motivo não puderam autuar a delegação argentina antes do jogo, evitando a situação constrangedora que ocorreu após o início do jogo.

A situação irregular foi identificada pela Anvisa ainda na sexta-feira (3), quando os argentinos chegaram ao país. “Nós não podemos jamais imaginar que pessoas de um nível alto de entendimento e conhecimento, não tenham entendido uma determinação clara de quarentena e deportação”, afirmou Torres.

Ele ainda defendeu a atuação das autoridades que entraram em campo e paralisaram a partida. Antonio Barra Torres afirmou que as ordens foram claras e, mesmo sem a presença anterior da Anvisa no hotel da delegação argentina, não há motivos para o descumprimento da lei por parte deles.

Nota oficial da CBF:

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lamenta profundamente os fatos ocorridos e que acabaram por provocar a suspensão da partida entre Brasil e Argentina, válida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA Catar 2022.

A CBF defende a implementação dos mais rigorosos protocolos sanitários e os cumpre na sua integralidade. Porém ressalta que ficou absolutamente surpresa com o momento em que a ação da Agência Nacional da Vigilância Sanitária ocorreu, com a partida já tendo sido iniciada, visto que a Anvisa poderia ter exercido sua atividade de forma muito mais adequada nos vários momentos e dias anteriores ao jogo.

A CBF destaca ainda que em nenhum momento, por meio do Presidente interino, Ednaldo Rodrigues, ou de seus dirigentes, interferiu em qualquer ponto relativo ao protocolo sanitário estabelecido pelas autoridades brasileiras para a entrada de pessoas no país. O papel da CBF foi sempre na tentativa de promover o entendimento entre as entidades envolvidas para que os protocolos sanitários pudessem ser cumpridos a contento e o jogo fosse realizado.

A CBF reitera sua decepção com os acontecimentos e aguarda a decisão da CONMEBOL e da FIFA em relação à partida.