Os Donos da Bola

Endrick: joia interessou rivais e chegou ao Palmeiras por vídeo no Youtube

Douglas Sousa, pai do atacante do Verdão, participou do Donos da Bola e contou a trajetória do atleta de 15 anos

Da Redação, com Os Donos da Bola 10/01/2022 • 16:25

Destaque do Palmeiras na Copa São Paulo de Futebol Júnior, Endrick também interessou Corinthians, Santos e São Paulo. A revelação foi feita por Douglas Sousa, pai do atacante de 15 anos, em entrevista ao programa Os Donos da Bola desta segunda-feira (10). 

Endrick começou a jogar futebol com apenas quatro anos e não demorou para virar sensação nas escolinhas de Brasília, onde brilhava contra crianças mais velhas. “Já diziam que ele tinha algo diferente”, relembra o pai.

O talento primeiro chamou a atenção do São Paulo. Aos oito anos, o atacante foi aprovado em testes no clube e ficou por duas temporadas e meia indo e voltando de Cotia. “No final de 2016 pediram que a gente se mudasse, mas com ajuda de custo de 150 reais. Não tinha como. Disse que só iria com uma moradia ou um emprego. Se tivesse uma casa eu poderia procurar um emprego e se eu tivesse um emprego eu poderia procurar uma casa”, explica Douglas.

Já no caso de Santos e Corinthians, segundo o pai de Endrick, houve interesse por parte dos profissionais da base de ambos os clubes, mas a resposta foi negativa quando Douglas pediu que arcassem com a viagem ou estadia da família na capital paulista.

As portas foram de fato abertas pelo Palmeiras depois que Alemão, técnico da base, viu através de um empresário um vídeo postado por Douglas no Youtube com 13 gols marcados por Endrick num torneio da base em 2016. 

“O Alemão perguntou qual era o ano dele. Falaram que ele é de 2006. E aí ele disse ‘pode me trazer porque vai encaixar’. Depois me ofereceram um trabalho dentro do clube. Um vídeo que eu gravei no Youtube foi o começo disso tudo”, destaca o pai do atacante. 

Ascensão meteórica no Palmeiras

De 2017 para cá, Endrick se tornou uma das maiores joias do Verdão - a ponto de somar 167 gols em 170 jogos. Na Copinha, competição para jogadores de até 20 anos, o atacante já tem quatro gols em dois jogos - sendo que atuou só por 45 minutos de cada partida. 

“No Palmeiras, ele foi campeão do sub-11 e subiu para o sub-13. No mesmo ano foi campeão do sub-13 e do sub 15. Com 14 anos subiram ele para o sub-17 e depois para o sub-20. Eu estranhava um pouco, mas o pessoal falava que era para ele não se acomodar, aumentar o grau de dificuldade e continuar a evolução. Aconteceu o que aconteceu”, comemora o pai.  

No último domingo, Endrick treinou pela primeira vez com o elenco profissional do Palmeiras antes mesmo de assinar o primeiro contrato com o clube - por lei, isso é só permitido quando ele fizer 16 anos em julho. “Estamos aguardando o contato do Palmeiras e devemos conversar após a Copinha”, disse Douglas, que, no momento, não conta com a possibilidade de o filho ir para a Europa.

“Ele só poderia sair com 18 anos. Nem minha família e nem minha esposa possuímos qualquer descendência. Sendo sincero, ele tem o sonho da Europa, mas não tem motivo para pensar nisso agora se seria uma possibilidade para só daqui dois anos e meio. O foco é no Palmeiras”. 

Promessa ao pai na infância

Douglas Sousa sonhou em seguir carreira no futebol como o filho, mas não chegou a se profissionalizar. Em Brasília porém, o esporte foi a chance de ele ganhar algo a mais além do trabalho como auxiliar de eletricista.

“As pessoas me davam dinheiro para eu jogar futebol no sábado e domingo. Além de trabalhar eu tinha que jogar futebol para levar o sustento para dentro de casa. O Endrick me acompanhava nos jogos e sabia dessa necessidade”, diz. 

“Num dia infelizmente não tinha o que o Endrick queria comer na despensa. E ele me falou que iria jogar e que tiraria a gente desta falta. Graças a Deus com 15 anos ele já dá a possibilidade de a gente ter uma condição melhor”, completa. 

Douglas, que diferentemente do filho atuava na defesa, revelou ainda que foi uma espécie de primeiro treinador do filho. “Enchia a garrafa pet de água e colocava como cone para ele treinar condução, e no portão de casa era o trabalho de finalização”, conclui ele.