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Brasil chega a 500 mil mortos pela Covid-19

Meio milhão de pessoas perderam a vida desde o início da pandemia

Da redação 19/06/2021 • 17:14 - Atualizado em 19/06/2021 • 18:50
Sepultadores trabalham à noite com roupas de proteção
Sepultadores trabalham à noite com roupas de proteção
Folhapress

O Brasil alcança a triste marca dos 500 mil mortos pela Covid-19. O número equivale a 166 atentados de 11 de setembro nos EUA, 1.851 tragédias de Brumadinho ou 2.066 incêndios da Boate Kiss.

Considerando que a primeira morte pela doença no país aconteceu no dia 17 de março, é como se dois aviões Airbus A380, a maior aeronave comercial em atividade, caíssem todos os dias cheios de brasileiro. Se enfileirássemos os caixões de todas as vítimas em linha reta, o espaço ocupado iria de São Paulo até Brasília.  

Nas últimas 24 horas, mais 2.301 pessoas morreram pelo coronavírus, totalizando 500.800. De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) o país registrou 82.288 novos infectados, com 17.883.750 desde o começo da pandemia.

A média móvel de novos casos voltou a crescer em 10 de junho e a de mortes no último dia 6. A média diária de óbitos está há seis dias acima de 2 mil.

Na última sexta-feira (19), a Organização Mundial da Saúde fez um apelo para que o Brasil reforçasse as medidas de distanciamento. A organização voltou a recomendar o uso de máscaras e pediu que as pessoas evitem aglomerações.

De acordo com a OMS, além de acelerar o ritmo da vacinação, o país precisa ampliar o isolamento para interromper a disseminação do vírus e conseguir voltar ao normal em um futuro próximo.

Autoridades lamentam o número de mortos

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga prestou solidariedade às famílias das vítimas da doença. "500 mil vidas perdidas pela pandemia que afeta o nosso Brasil e todo o mundo. Trabalho incansavelmente para vacinar todos os brasileiros no menor tempo possível e mudar esse cenário que nos assola há mais de um ano. "Presto minha solidariedade a cada pai, mãe, amigos e parentes, que perderam seus entes queridos", escreveu ele.

O governador João Doria soltou uma nota dura criticando a lentidão para o começo da vacinação e as fake news. “Um sentimento de vazio e indignação invade meu coração. É inadmissível perdermos pessoas para um vírus saben que já havia uma vacina. Morreram pelo descaso”, escreveu ele.

O prefeito do Rio de Janeiro também se manifestou: "Meus sentimentos a cada um dos conhecidos, amigos ou familiares das 500 mil pessoas mortas no Brasil pela Covid-19. Não são números, são histórias de vida que se perderam. Meu compromisso de continuar trabalhando muito para superarmos esse momento e de lutar pela vida de todos".

O presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), e outros senadores da comissão também se pronunciaram. “Meio milhão de vidas que poderiam ter sido poupadas, com bom-senso, escolhas acertadas e respeito à ciência. Asseguramos  que os responsáveis pagarão por seus erros, omissões, desprezos e deboches. Não chegamos a esse quadro devastador, desumano, por acaso”, diz a nota.

O secretário de Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, falou em incompetência do país no combate ao coronavírus. "É um triste número. É uma marca que nós atingimos e tínhamos a obrigação de mudar essa história. Essa marca mostra a nossa incompetência. A incompetência de um País", lamentou ele.

A enfermeira Mônica Calazans, a primeira pessoa vacinada no Brasil, pediu para que as pessoas tomem as duas doses: "Apelo para que as pessoas que não tomaram a segunda dose, que procurem o posto de saúde mais próximo e completem a imunização porque é a nossa única arma contra a doença".

Mesmo com a imunização aumentando e a chegada de novas doses, o infectologista da UFRJ Alberto Chebabo, que também é integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Infectologia, acredita que o Brasil pode se tornar em breve o país com mais mortes pela Covid-19. "É muito provável que passemos os Estados Unidos no número de mortos pelo coronavírus", disse ele.

O ex-presidente Lula lembrou que o Brasil sempre foi uma referência em campanhas de vacinação. “500 mil mortos por uma doença que já tem vacina, em um país que já foi referência mundial em vacinação. Isso tem nome e é genocídio. Minha solidariedade ao povo brasileiro”, escreveu o petista no Twitter.

O presidente Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre os 500 mil brasileiros mortos na pandemia.

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