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Arthur Weintraub nega "gabinete paralelo" e diz que "apenas repassava pesquisas" a Bolsonaro

15/06/2021 • 11:08
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O ex-assessor da Presidência da República Arthur Weintraub negou nesta terça-feira (15) que tenha integrado um "gabinete paralelo" ao Ministério da Saúde para assessorar Jair Bolsonaro durante a pandemia do coronavírus. A acusação foi levantada pela CPI da Covid no Senado. Ele confirmou, no entanto, que atuou como uma "ponte" do governo com cientistas que estudavam possíveis tratamentos para a doença.

"[Gabinete paralelo] nunca existiu. Começou com uma preocupação do presidente com a doença. Eu era assessor especial dele e comecei a pesquisar. O que encontrei é que havia remédios que poderiam evitar a replicação viral e diminuir a chance de a pessoa ir para o tubo. O que eu encontrava, repassava", contou Arthur Weintraub em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Ele confirmou que essas informações envolviam, por exemplo, pesquisas sobre o uso de um coquetel com medicamentos como hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, vitamina D e zinco contra a covid-19 - o que ainda não têm comprovação científica.

"Minha assessoria foi em relação a pesquisas cientificas e ao que os médicos me passavam. Eles começaram a me contatar, me passavam dados, contavam o que estava acontecendo. Eu repassava. Não tinha nenhuma ingerência em questões de ministério, administração, quantidade de insumos, remédios", completou.

O advogado, irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, deixou a assessoria em setembro de 2020 para assumir um cargo na Organização dos Estados Americanos (OEA). Desde então, mora nos Estados Unidos. Há cerca de um mês, contraiu a covid-19 e chegou a ter 50% do pulmão comprometido.

"Já falei que não tenho nada a esconder. Eu estava doente, essa doença é séria, pesada, até agora tenho que fazer fisioterapia, não consigo caminhar direito, estou tomando remédios para coagulação. Não tenho nenhum problema em aparecer [para depor à CPI]. Já falei, escrevi nas redes sociais, estou falando agora com você. Eu estava doente e começaram a falar que iam me extraditar! Qual é meu crime? Passar pesquisas ao presidente que poderiam ser uma alternativa para as pessoas não morrerem? Falaram até em FBI! Não fiz nada de errado. Eu falo, não tem problema. Pode ser por vídeo também, não tem problema."