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"Pesquisa eleitoral é retrato e vida é filme", diz Ciro Gomes

Datena 23/09/2021 • 11:33

Ao comentar os resultados das mais recentes pesquisas eleitorais, o pré-candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes, disse nesta quinta-feira (23) que "pesquisa é retrato e vida e filme". De acordo com ele, é natural que as figuras que mais aparecem politicamente na mídia – como o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – apareçam na frente, mas ambos devem desidratar com o início da campanha.

"Temos que olhar com leveza. Não brigamos com pesquisa. Pesquisa é retrato e vida é filme. Quando é que ela realmente é científica? Quando o universo pesquisado é homogêneo. Se você faz uma sopa com macarrão, manteiga, verdura e deixa no fogão durante a noite, o peso vai mudando. A gordura fica em cima, o macarrão no meio, a carne desce. Se você chegar de manhã e tirar com uma colher, vai pegar só gordura. Isso não representa a sopa toda, tem que mexer", disse Ciro à Rádio Bandeirantes.

"A tendência neste momento é revelar um retrato de notoriedade, conhecimento. É diferente no ano que vem após as convenções. Eu olho isso com tranquilidade. Bolsonaro está na mídia todo dia – falando bobagem, mas está. Lula é um cara que foi presidente, está nas eleições desde 1989, mas, quando o povo começar a lembrar que ele produziu essa crise econômica e levou a corrupção ao centro do modelo do Brasil, duvido. Conheço a sabedoria do povo brasileiro", completou.

Na pesquisa Ipec divulgada na noite de ontem (22) pela TV Globo, Ciro aparece em terceiro lugar no primeiro turno da disputa à presidência. No primeiro cenário com cinco candidatos, marca 8% das intenções de voto, contra 48% de Lula e 23% de Bolsonaro. No segundo cenário com dez candidatos, marca 6%, contra 45% de Lula e 22% de Bolsonaro.

O ex-governador do Ceará afirmou ainda que a encomenda de uma pesquisa eleitoral no Brasil custa ao menos R$ 600 mil. O valor de um levantamento presencial e mais abrangente como o DataFolha, por sua vez, beira R$ 2 milhões.

"Quem tem dinheiro, nesse país machucado, para todo mês pagar por 5, 6, 7 pesquisas? A soma dá R$ 10 milhões por mês! Aí temos mais clareza. Ninguém gasta essa grana se não tiver interesse nisso. Pode ser uma curiosidade natural? Ok, certamente existe boa-fé. Mas quem paga é o sistema financeiro, aquele que quer que 'tudo mude para que nada mude' (...). [Prejudica] quem tem raiz popular, não tem rabo preso e quer entrar para mudar. Vamos deixar o filme correr."

Ciro fala em "genocida na ONU"

O pré-candidato voltou a criticar também o discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da 76ª Assembleia-Geral da ONU. Segundo suas palavras, esta foi a primeira vez na história da Organização das Nações Unidas em que "um genocida ocupou a tribuna para defender as armas pelas quais praticou o assassinato de seu próprio povo".

"Parecia que estava falando para o 'cercadinho'. Ele mentiu. Diz que agosto foi o melhor mês em relação ao desmatamento na Amazônia, um assunto caríssimo na comunidade internacional (...). O índice de desmatamento, pelos dados oficiais do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), é o pior dos últimos 10 anos. Uma mentira chocante, grosseira e burra."

"Ele insulta nosso povo insinuando que as pessoas receberam US$ 800 por mês. Isso é humilhante. E segue mentindo. Na tradição diplomática, não se leva briga interna a órgãos internacionais, nenhuma nação faz isso. Ele vai e insulta governadores e prefeitos, a quem devemos a atenuação da tragédia que sofremos, já que a CPI da Covid está provando que o governo federal teria produzido uma contaminação em massa e as mortes chegariam a milhões. Depois diz que a vacinação é feita e não há corrupção, uma frase junta da outra. A comunidade internacional inteira sabe do escândalo de roubalheira nas vacinas. Seus filhos são mencionados mundo afora pelo enriquecimento ilícito. Um vexame."

Ciro, por fim, criticou as reações de Lula às "ameaças" de Bolsonaro, incluindo o discurso na ONU, e confirmou que estará nas manifestações do próximo dia 2 de outubro, organizada pelos partidos de oposição, para defender o impeachment do presidente.

"O constrangedor é que Lula torce pelo 'quanto pior, melhor'. Ele prefere que o Brasil sangre, que o povo sofra, para que ele se eleja. Para que as pessoas esqueçam que quem produziu o bolsonarismo boçal foi seu governo (...). Acho que temos que punir Bolsonaro pelos crimes que ele cometeu. Por isso estou na luta pelo impeachment e vou estar nas ruas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Não importa quem esteja ali. Temos que unir os democratas brasileiros. Nossa democracia está ameaçada."

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