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Temer diz que afastamento de presidente e vice "não é bom para as instituições"

Datena 10/02/2021 • 11:03

O ex-presidente Michel Temer disse nesta quarta-feira (10) à Rádio Bandeirantes que o afastamento entre o presidente da República e o vice "não é bom para o funcionamento das instituições brasileiras". A afirmação veio ao comentar as recentes especulações sobre um eventual desgaste na relação entre Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão.

Bolsonaro convocou uma reunião ministerial ontem (9) no Palácio do Planalto para debater a viabilidade de um novo auxílio emergencial, como ele mesmo adiantou ao blog com exclusividade, e uma redução nos preços de alimentos e combustíveis. Logo após o encontro, Mourão confirmou à imprensa que não havia sido convidado. "Acredito que o presidente julgou que era desnecessária minha presença, só isso. Não estou incomodado", disse.

"Isso não é bom para as instituições. Não falo da figura pessoal do presidente ou do vice, mas da figura institucional da presidência e da vice. Institucionalmente, se há uma reunião de ministros, tem que ter [a presença do vice]. Não acho útil. Começam especulações que atrapalham a governabilidade", declarou Temer.

"O Mourão a meu ver é uma figura muito adequada que faz declarações corretas e se comunica bem. Essas notícias devem chateá-lo. Não é útil para a institucionalidade da presidência e da vice. Me recordo que a senhora ex-presidente [Dilma Rousseff] muitas vezes chamava alguns ministros para conversar no fim de semana, mas não era uma reunião plena de todo o ministério. Mesmo assim a imprensa dizia 'chamou tal e tal e não chamou o vice'. Já era negativo. Imagina em uma reunião ministerial, institucional”, completou.

Michel Temer era o vice-presidente do governo Rousseff. Quando o impeachment foi aprovado pelo Congresso, ele assumiu o cargo. Ao relembrar o processo, o emedebista reafirmou que "não colaborou" para o afastamento de Dilma, governante "de uma honestidade absoluta".

"Tenho repetido sempre: quando começou a história do impedimento na Câmara dos Deputados, eu vim a São Paulo. O vice é sempre o primeiro suspeito, precisa sair imediatamente do cenário. Voltei a Brasília só na última semana, quando começaram a dizer 'Temer, vem cá, você não pode ficar fora sendo o vice'. Não colaborei minimamente para isso. E o problema dela não era de honestidade. Com toda franqueza, sei de sua honestidade absoluta. Houve, sim, um crime de natureza institucional, as tais pedaladas, além da relação com o Congresso, as milhões de pessoas nas ruas... Isso derrubou a presidente, não foi o vice. Só cumpri meu dever constitucional", destacou.

Eleições de 2022

O ex-presidente comentou ainda o lançamento de algumas pré-candidaturas para a eleição presidencial de 2022. De acordo com ele, a rapidez com que os partidos determinam nomes "não é útil para quem governa e nem para o povo brasileiro". Seu partido, o MDB, especificamente, vai aguardar para definir se lança uma candidatura própria ou se faz uma aliança.

"O comentário que posso fazer, eu que estou fora dessas questões no momento, é pautado pela minha modesta experiência política. Não é muito útil esta rapidez, pressa, celeridade com que se põe a eleição de 2022. Você vai trabalhando em algum cargo e, em razão de méritos, naturalmente nasce uma candidatura. Colocá-la um ano e meio antes não é útil para quem governa nem para o povo brasileiro. Até porque o povo vai pensar nas eleições a partir de julho, agosto do ano que vem. Muitas vezes a decisão se dá uma semana antes da votação. Não acho útil, mas não quero fazer critica a ninguém, cada um tem uma posição."

"É difícil dizer sobre o MDB. A regra geral de um partido é, muito antes da eleição, dizer que a tendência é escolher um candidato. Mas os fatos políticos determinam se lança candidato ou faz aliança. O MDB, ao longo do tempo, sempre disse que lançaria e, em dado momento, verificou que era politicamente mais adequado fazer alianças. O que o MDB vai fazer é aguardar."

ENTREVISTA COMPLETA:

https://youtu.be/ztlmVJKYSJI