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Temer diz que orientou Bolsonaro a se acalmar: "Ele se descontrolou um pouco"

Datena 25/08/2020 • 11:57

O ex-presidente da República Michel Temer disse hoje em entrevista à Rádio Bandeirantes que, em contatos recentes que teve com o Planalto, orientou Jair Bolsonaro a se acalmar – o que, segundo ele, funcionou por um ou dois meses. No episódio de ontem, no entanto, acredita que o atual chefe do Executivo “se descontrolou um pouco”.

"Não foi apenas o meu palpite, ele deve ter recebido manifestações de muita gente. Mas eu dei alguns palpites nessa direção: 'Olha, a palavra do presidente da República tem muita força institucional, você tem que ter um porta-voz, dar entrevistas de vez em quando'. De uns dois meses para cá, ele mudou o estilo. Não por meu palpite apenas, claro, mas de outros também."

"O mundo está precisando de figuras como Gandhi, Mandela e outros tantos pacifistas. O mundo todo está tomado por pessoas de posição agressiva, seja no governo seja fora. Isso tomou conta das instituições também. É de uma agressividade extraordinária. Essas figuras históricas transmitiam a ideia do diálogo, da pacificação. Não temos mais. Vejo líderes que só querem guerra, confusão. A pandemia agravou isso. Tenho a impressão que Bolsonaro se descontrolou um pouco. Mas sempre há tempo de consertar. Nós temos essa tendência humana de retrucar, mas, em função da posição que ocupa, ele tem que se acautelar. Se ele me permitir mais um conselho: que ele se acautele ao longo do tempo. Não é útil isso. Não é bom, só produz negativo para o País. Acho que ele vai tomar mais cuidado. Espero que tome."

Michel Temer foi convidado por Bolsonaro recentemente para chefiar a missão humanitária no Líbano, após o país sofrer com aquela grande explosão do porto de Beirute. Além de enviar medicamentos, insumos médicos e alimentos como doação, o ex-presidente participou de encontros com líderes locais.

"Bolsonaro fez uma coisa que é comum nos Estados Unidos, quando um presidente chama um ex-presidente para atuar em missões diplomáticas. Ele teve uma delicadeza muito grande, além do que sou filho de libaneses. Ele acertou."

Governo Bolsonaro na pandemia

Questionei Temer também sobre a maneira que Bolsonaro tem enfrentado a pandemia do coronavírus. Para ele, o presidente "tem cumprido seu papel", assim como os prefeitos e governadores.

"A pandemia é universal. É um drama de todos os países. Ele fez, como chefe do governo, o papel que deveria fazer: alcançar os vulneráveis com aquelas verbas todas que foram destinadas, com auxílio do Congresso Nacional. A verba de R$ 600 [auxílio emergencial] que talvez venha a ser prorrogada, por exemplo. É uma preocupação que temos que ter no País. Temos cerca de 30 ou 40 milhões de pessoas em situação de miséria. Precisa estar atento a isso. E ele exerceu seu papel. Os governadores e os prefeitos também exerceram. É o que preguei no Líbano: quando há uma tragédia, você tem que ter unidade. A paz vem da unidade. Tenho a impressão que ele cumpriu seu papel na medida do possível. E é importante que nós cumpramos também, atendendo os protocolos."

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