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Rebeca Andrade caminhava 2 horas para treinar quando não tinha condução, lembra mãe

Datena 29/07/2021 • 11:21
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A medalha de prata conquistada na manhã desta quinta-feira (29) pela ginasta Rebeca Andrade nos Jogos Olímpicos de Tóquio "tem sabor de ouro" para todo o Brasil – especialmente para dona Rosa Santos, mãe da atleta. Em entrevista à Rádio Bandeirantes logo após o pódio, ela lembrou as dificuldades financeiras pelas quais a família já passou e contou que a filha caminhava cerca de 2 horas para conseguir treinar nos dias em que não tinha dinheiro para pegar condução.

"É muita alegria, não dá para conter. A mãe está muito orgulhosa. Essa medalha que ela conquistou é dividida comigo, mas principalmente com os irmãos. A mãe é um porto seguro, aconselhou aqui, orientou ali, mas quem correu mesmo na batalha para levá-la aos treinos na época da dificuldade foram eles. Eu precisava trabalhar. Era o mais velho cuidando do mais novo", disse.

Natural de Guarulhos, na Grande São Paulo, Rebeca Andrade, hoje com 22 anos, possui sete irmãos. Todos foram cuidados por dona Rosa, mãe solo. E todos cuidaram uns dos outros.

"Quando eles viram que ela tinha esse talento, eles se dedicaram. Quando ela achava que era hora de parar porque não tinha dinheiro para condução, o irmão falava: 'eu levo ela a pé'. A distância era de 2 horas caminhando. Essa conquista que ela teve eu tenho certeza que é dedicada aos irmãos. Eu só tenho a agradecer a Deus pelos filhos maravilhosos que Ele me deu", completou.

Segundo a matriarca, um dos irmãos mais velhos, hoje com 30 anos de idade, também era atleta e sonhava em ser jogador de futebol. Quando precisou escolher entre treinar e levar a irmã para treinar, no entanto, não teve dúvidas. Ela foi a prioridade.

"Ele sempre foi bom em futebol e tinha esse sonho. Mas virou para mim e disse que era muito difícil e que a Rebeca estava mais à frente. Ele queria fazer testes, precisava treinar, mas não conseguia levá-la aos treinos assim. Eu disse para ele escolher, não era obrigado a nada, e ele respondeu que não, que seria melhor leva-la porque ela tinha mais chance. Abriu mão do sonho dele para que ela alcançasse o dela. Agora ela está trazendo essa prata com sabor de ouro."

E adivinha quais são os próximos passos? Comida de mãe, claro. "Ela vai voltar para casa e me pedir para cozinhar aquele frango grelhado com tempero de mãe."

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Antes de voltar ao Brasil, no entanto, teremos mais "Baile de Favela", funk utilizado pela atleta durante uma de suas apresentações. Rebeca ainda disputará outras duas finais nas Olimpíadas: a do salto, na manhã do domingo (1º), e a do solo, na manhã de segunda-feira (2).

CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA: