Boa Tarde, São Paulo

Agressor de procuradora estava em clínica psiquiátrica quando foi preso

Mandado de prisão contra Demétrius Macedo foi cumprido nesta quinta-feira enquanto ele estava em clínica psiquiátrica de São Paulo

Da redação 23/06/2022 • 15:40 - Atualizado em 23/06/2022 • 16:08

A prisão do agressor da procuradora-geral Gabriela Samadello, o também procurador Demétrius Oliveira de Macedo, aconteceu enquanto ele estava numa clínica psiquiátrica em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, nesta quinta-feira (23). Informações apuradas pelo Boa Tarde, São Paulo dão conta que a família o levou para o consultório.

A delegada que acompanhou a prisão de Demétrius disse, em entrevista coletiva, que ele não sabia responder se estava arrependido. Ela percebeu que a forte presença de mulheres, na ocasião, além dela, uma escrivã e investigadora, incomodou o acusado.

Assim que soube da prisão de Demétrius, Gabriela enviou um vídeo à reportagem da Band para demonstrar alívio. Segundo ela, uma rede de mulheres se mobilizaram para o envio de mensagens de apoio.

 “Fiquei muito satisfeita com a ação do Estado, celeridade que foi dada. Me sinto mais segura, agora. É possível você mudar essa situação de violência. Basta a gente ter coragem. Tenho recebido muitas mensagens de apoio de outras mulheres”, pontuou a procuradora Gabriela.

Alegação do procurador

Assim que foi agredida, a procuradora foi à Delegacia da Mulher de Registro, cidade onde Gabriela e Demétrius trabalham como procuradores do município. A polícia foi atrás do denunciado no mesmo dia, mas o primeiro delegado que falou com ele o liberou, sob a alegação de sofrer assédio moral no trabalho.

Quem tomou a iniciativa de pedir a prisão de Demétrius foi o ouvidor das Polícias de São Paulo, Elizeu Lopes, que fez um requerimento para o delegado-geral da Polícia Civil do estado.

“Eu creio que ele, com aquela atitude, colocou em risco a própria vida da procuradora. Eu fiz um requerimento para o delegado-geral, doutor Nico [Gonçalves], que me atendeu prontamente. Então, a Polícia Civil fez a representação para que o Ministério Público pedisse a decretação da prisão preventiva. É preciso assegurar a integridade física da doutora Gabriela”, explicou Lopes.

Entenda o caso

Um vídeo gravado por outra funcionária, divulgado nessa terça-feira (21), mostra Demétrius desferindo uma série de socos contra Gabriela enquanto ela estava caída no chão. Colegas tentaram impedir as agressões.

A procuradora afirma que foi agredida pelo procurador depois que ele se revoltou pelo processo disciplinar por conta do mau comportamento dele com outros funcionários da Procuradoria de Registro.

Na delegacia, o procurador afirmou que sofria “assédio moral” no trabalho por parte da vítima. Na sequência, ele foi liberado por não haver “situação de flagrante”, segundo o delegado do caso.