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Sem autorização da Índia, voo para buscar vacinas é cancelado; Bolsonaro aponta "atraso"

Da Redação, com Brasil Urgente e Jornal da Band 15/01/2021 • 18:35 - Atualizado em 16/01/2021 • 00:03
Avião aguarda em Recife a ordem para buscar vacinas na Índia
Avião aguarda em Recife a ordem para buscar vacinas na Índia
Ana Leal/Ofotográfico/Folhapress

Uma aeronave brasileira da Azul aguardava em Recife a liberação da Índia para decolar rumo a Mumbai. A companhia, porém, afirmou que a decolagem, que estava programada para ás 23h desta sexta-feira (15), foi cancelada, e o Ministério da Saúde pediu que o avião voltasse para Campinas (SP) para transportar cilindros de oxigênio para Manaus. Uma nova data da viagem para território indiano ainda não foi revelada pela empresa ou pelo Governo Federal.

Em entrevista a José Luiz Datena, no Brasil Urgente, Bolsonaro disse que houve apenas um atraso de poucos dias, e prevê que o Brasil receba a vacina em breve.

“Tudo foi acertado para disponibilizar dois milhões de doses, mas está começando a vacinação na Índia, um país com 1,3 bilhão de habitantes. Resolveu-se, não foi decisão nossa, atrasar um ou dois dias. Porque lá [na Índia] também tem pressão política. Em dois ou três dias no máximo nosso avião vai partir e trazer essas 2 milhões de doses”, declarou Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro disse que ainda conta com as 2 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford, produzidas na Índia, apesar de o país asiático afirmar que ainda é muito cedo para dar respostas sobre o envio para outros países. A campanha de vacinação indiana está apenas começando.

O clima no Ministério da Saúde é de apreensão. Por enquanto, não se cogita começar a vacinação no dia 20 apenas com a Coronovac. A Fiocruz está sendo consultada sobre a possibilidade de antecipar as primeiras doses produzidas no Rio, previstas somente para fevereiro.

“Não tenho ideia”

Ainda nesta sexta, o Ministério da Saúde solicitou ao Instituto Butantan a entrega imediata das seis milhões de doses da CoronaVac, que já foram importadas e são objeto do pedido de autorização de uso emergencial perante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na prática, a Coronavac é a única vacina disponível no Brasil.

A vacina chinesa é pivô de uma disputa política entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, que foi chamado de “moleque”, entre outras ofensas, pelo presidente (veja aqui).

Bolsonaro falou ainda de uma vacina brasileira, que está sendo desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

“O Marcos Pontes [ministro da pasta] está trabalhando em uma vacina brasileira, que ele acha que pode ficar pronta esse ano, na fase experimental ainda, mas pode ficar pronta. Quem sabe até venhamos a usá-la”, contou o presidente.

Questionado sobre o local onde a vacina está sendo desenvolvida, Bolsonaro não soube responder.

“Não tenho ideia”, declarou, indicado Pontes como fonte para a informação.

Em dezembro do ano passado, Pontes afirmou, em entrevista ao Datena, que a vacina em questão está prevista para outubro de 2021 - veja aqui. São 15 vacinas diferentes, sendo três em estado avançado.

“Sobre essas três vacinas: uma delas é de aplicação de spray nasal, outra é vacina dupla influenza/covid-19 e a outra usa um carreador de nanotecnologia dentro do sistema linfático que tem potencial enorme de ter sucesso”, disse Pontes na ocasião.

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