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Elis Regina: 40 anos de saudade

A gaúcha de temperamento forte começou ainda criança, brilhando nas rádios de Porto Alegre

Filipe Rocha 19/01/2022 • 11:50 - Atualizado em 19/01/2022 • 12:40

Quarenta anos sem Elis Regina, mas a voz carregada de emoção e sentimento continua viva. "Lilica" para os íntimos, entre os amigos ela era a “Pimentinha” e para o grande público “Elis”, simplesmente “Elis”.

“Muito viva e marcou, marca e marcará muitas gerações”, destaca o professor José Luis da Silva. “Foi uma das melhores! Fez a época dela e faz até hoje”, relembra a escritora Érica Meira 

A gaúcha de temperamento forte começou ainda criança, brilhando nas rádios de Porto Alegre. Ganhar o Brasil e o coração dos brasileiros foi inevitável e foi na TV Bandeirantes que a carreira de Elis ganhou ainda mais projeção, com produções de sucesso e encontros com gênios da música brasileira.

“Eu não acho que a Elisa era uma grande intérprete, porque não vejo a Elis interpretando, eu vejo a Elis vivendo a música. Quando Elis canta parece a própria música se manifestando”, diz o produtor musical e filho João Marcelo Bôscoli.

João Marcelo Bôscoli, além de produtor musical é um dos três filhos de Elis Regina e recorda que por trás da grande estrela havia uma mulher simples que gostava de ficar em casa com os filhos.

“Essa pose da estrela fora do palco com a Elis não havia. Era uma pessoa, né? Um amigo falou para ela uma vez ‘nossa Elis como você cozinha bem’ e ela respondeu: ‘Rapaz você tinha que me ver cantando! ’”, lembra João. 

Além de Tom Jobim, Elis firmou parceria com outros grandes nomes. Caminhando pela Vila Itororó e pelas ruas do Bixiga na capital paulista o encontro histórico com Adoniram Barbosa aconteceu. A música "Tiro ao Álvaro" foi gravada de uma vez, sem repetição, em apenas 40 minutos.

Em plena ditadura militar, Elis soube que Rita Lee estava presa. Mesmo sem conhecê-la foi até lá com o filho João nos braços e a partir desse gesto surgiu uma forte amizade. “Eu fiquei achando se essa é a ‘pimenta’ é uma pimenta muito doce”, relembra Rita. 

“A jornada humana é uma jornada coletiva e isso eu aprendi profundamente ouvindo, vivendo e observando Elis Regina”, destaca João Marcelo.