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Projeto de lei prevê uso de fábricas de medicamentos veterinários para fabricação de vacinas contra Covid-19

Três das mais de 20 fábricas de vacinas para animais do país têm nível de biossegurança compatível com o exigido para a fabricação de imunizantes para humanos

Da Redação, com Rádio Bandeirantes e Bora Brasil 19/04/2021 • 08:48

Um projeto de lei que tramita no Senado prevê o uso de fábricas de medicamentos para animais para fabricação de vacinas contra a Covid-19. As informações são da Ana Paula Rodrigues, da Rádio Bandeirantes no Bora Brasil.

A proposta é ampliar a fabricação do insumo farmacêutico ativo, o IFA, de vacinas com a mesma fórmula da produzida pelo Instituto Butantan, além de também ajudar no envase do imunizante.

Três das mais de 20 fábricas de vacinas para animais do país têm nível de biossegurança compatível com o exigido para a fabricação de imunizantes para humanos.

Os espaços produzem vacinas contra a febre aftosa para bovinos, que exige alto nível de tecnologia por causa das exportações de carne.

O senador Wellington Fagundes, autor da proposta, afirma que o setor agro pode contribuir cedendo esses espaços para fabricação temporária de vacinas contra a covid-19, sem que haja prejuízo também à produção agropecuária. 

“Esses laboratórios hoje são regulados pelo Ministério da Agricultura e a partir dessa produção também a Anvisa teria que fazer toda fiscalização, inspeção e autorização. Essas vacinas seriam a partir de vírus inativado. A proposição nossa é que a parceria seria feita com o Instituto Butantan, onde essas indústrias poderiam fazer o IFA (matéria-prima) e ser envazado no próprio Butantan ou na Fiocruz”, explicou. 

A Anvisa afirmou que avalia a possibilidade da adaptação das fábricas, assim como os cuidados necessários para evitar a contaminação cruzada que pode ocorrer em razão do uso das estruturas fabris para produtos veterinários. 

Já o Instituto Butantan, citado pelo senador, não quis se pronunciar sobre o projeto. De qualquer maneira, não se trata de um processo rápido. 

Uma das empresas envolvidas na negociação confirmou à Rádio Bandeirantes que adaptar a estrutura para a produção de vacinas contra a covid-19 poderia levar de 9 a 12 meses, pelo menos.

Esse foi o ponto observado pelo médico sanitarista e um dos fundadores da Anvisa, Gonzalo Vecina.

Para ele, se a intenção é agilizar a produção desses imunizantes, existe outro caminho mais adequado, que seria usar fábricas que já produzem medicamentos para humanos:

“Acho que antes de utilizar a capacidade produtiva de fábricas de vacina de animal eles deveriam pensar em utilizar a capacidade das fábricas de medicamentos do Brasil mesmo. Além da Fiocruz e do Butantan, têm cerca de quatro fábricas brasileiras com capacidade de produção de vacinas agora, só pedir para eles fabricarem”, disse. 

Tanto Fiocruz quanto Instituto Butantan firmaram contratos que preveem a transferência de tecnologia da fabricação do IFA para o Brasil.

Segundo o Ministério da Saúde, a Fiocruz vai iniciar esse processo em agosto. Já o Instituto Butantan se prepara para começar a fabricação própria entre dezembro e janeiro.

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