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Parque embargado pela Justiça está fechado há quase 10 anos em SP

Na zona leste da capital paulista, o Parque Primavera está pronto, mas até agora não foi aberto aos moradores da região

Leonardo Zvarick, no Bora SP 26/11/2021 • 14:21

O Parque Primavera, localizado em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo está pronto desde 2012, mas poucos dias de ser aberto para população, em março daquele ano, ele foi embargado pelo Tribunal de Justiça (TJ-SP) a pedido do Ministério Público. A obra custou R$ 1,5 milhão aos cofres públicos. 

“Falta faz demais. A população não tem nem uma área e nem um espaço de lazer e entretenimento. A população é carente disso”, disse Sylvio Sena, líder comunitário. 

Parte do parque já foi construída, mas nesse tempo todo nunca pode ser aproveitado pelos moradores. Os portões ficam sempre fechados e só entram no local as equipes de segurança e manutenção. “Poucas praças arborizadas que a gente não tem e uma área dessa aqui a gente não pode usar”, reclama o motorista Antônio Aparecido Rodrigues.

Nos anos 80, o terreno de 122 mil metros quadrados foi um aterro sanitário e havia o risco de contaminação do solo, mas um laudo técnico feito em 2017 pela CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) constatou que não há mais perigo. Ainda assim, o Ministério Público não concordou com o parecer e solicitou uma nova perícia, que até hoje não foi feita.

“As grades já foram roubadas já virou um verdadeiro abandono, entulho, descarte de lixo. É um verdadeiro abandono da prefeitura que não cuida e não limpa”, disse Sylvio. 

Procurada a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente disse que o andamento só depende do Ministério Público e que não pode fazer nada para abrir o parque. “É um assunto que é tratado diretamente pela Procuradoria-Geral do Município. É o tempo inteiro a gente questionando então depende de o Ministério Público entender que a área está apta para ser aberta”, disse Tamires de Oliveira, coordenadora de Gestão de Parques e Biodiversidade (CGPABI) da pasta. 

No atual plano de metas, a Prefeitura planeja inaugurar oito novos parques em São Paulo até 2024, por enquanto somente três foram abertos. De acordo com o urbanista, Kazuo Nakano, a demora e os atrasos podem ser atribuídos a burocracia e falta de coordenação da administração pública. 

“Equipes técnicas, conhecimentos técnicos e informações a prefeitura possui, o que falta é coordenação. Essa falta dessa interlocução e do trabalho conjunto, permanente e continuo, é que faz com que a gente tenha esses atrasos essa falta de implementação das ações necessárias e que são prioridades na cidade”, explica Kazuo.