Notícias

Boris Johnson renuncia ao cargo de premiê no Reino Unido

Ele vai deixar o comando do governo britânico após uma série de escândalos até a escolha de um novo premiê

Da Redação, com BandNews TV 07/07/2022 • 08:37 - Atualizado em 07/07/2022 • 17:14

Boris Johnson renunciou ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido sob pressão intensa depois de perder o apoio do Partido Conservador. O anúncio aconteceu na manhã desta quinta-feira (07), em Downing Street, sede do governo britânico.

Johnson anunciou sua saída do posto de líder da legenda e, por consequência, ele deixará o posto de primeiro-ministro assim que o nome de outro premiê for escolhido.

“Está claro que o Partido Conservador deve ter um novo líder. Esse processo de escolher um novo líder deve começar agora. Hoje, eu apontei um novo gabinete até que um novo líder seja colocado no poder”, disse o Johnson.

Em quase três anos, o governo do líder do Partido Conservador foi marcado por feitos polêmicos e escândalos, a exemplo da concretização da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e “Partygate” (festas aglomeradas na pandemia).

Crise envolve denúncias de assédio

A crise que envolve o governo acontece em meio à renúncia do vice-líder da bancada conservadora após denúncias em que ele teria assediado dois homens em um clube fechado enquanto estava bêbado. Chris Pincher enviou carta ao premiê e citou atitudes das quais disse se envergonhar.

Pressionado, o primeiro-ministro suspendeu Pincher do partido, mas testemunhas apontam que, em 2019, Johnson sabia dos supostos comportamentos inadequados do aliado. Inicialmente, o premiê negou as acusações. Depois de cinco dias, ele resolveu pedir desculpas ao dizer que tinha conhecimento dos fatos.

Debandadas no 1º escalão

Debandadas do primeiro escalão agravam a crise em torno do premiê. Dois importantes ministros pediram demissão: Rishi Sunak, das Finanças, e Sajid Javid, da Saúde. Os gestores, em carta, mencionaram a dificuldade de Johnson em comandar o governo.

No Reino Unido, a população não vota no primeiro-ministro, mas, sim, nos parlamentares, os responsáveis pela escolha do governante. Na guerra de braço, vence o partido que tiver a maioria. Neste caso, o Partido Conservador optou por não apoiar a manutenção de Johnson.

Na última quarta-feira (06), Johnson disse que não se afastaria do cargo ao responder parlamentares na tradicional sabatina semanal. Ele argumentou que não seria correto fazer isso em meio a pressões econômicas e guerra na Ucrânia

Próximos passos

Boris Johnson renunciou ao cargo de líder do Partido Conservador e deve permanecer no cargo de primeiro-ministro até que o partido realize uma votação para definir seu sucessor — o mesmo movimento feito pelos antecessores Theresa May e David Cameron.

Caso esse seja o caminho adotado, os conservadores terão que eleger um novo líder, em um processo que poderá levar até dois meses. No Reino Unido, o líder do partido acumula a função de primeiro-ministro.

Caso Johnson queira desligamento automático do governo, a rainha Elizabeth II poderá escolher um primeiro-ministro interino até que parlamento britânico escolha um novo líder.

Assista à cobertura de Felipe Kieling