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Braga Netto nega ter feito ameaças a Lira contra eleições de 2022

Jornal "Estado de S. Paulo" afirmou que ministro da Defesa pressionou presidente da Câmara para aprovação do voto impresso

Valteno de Olivera, do Jornal da Band, com BandNews TV 22/07/2021 • 16:10 - Atualizado em 22/07/2021 • 21:04

O ministro da Defesa, general Braga Netto, negou que tenha feito ameaças contra a realização das eleições em 2022 caso não seja aprovado o voto impresso e auditável.

"O Ministro da Defesa não se comunica com os presidentes dos poderes por meio de interlocutores. Trata-se de mais uma desinformação que gera instabilidade entre os poderes da República em um momento que exige a união nacional. A discussão sobre o voto eletrônico auditável, por meio de comprovante impresso é legítima, defendida pelo governo federal e está sendo analisada pelo parlamento brasileiro, a quem compete decidir sobre o tema", afirmou Braga Netto durante evento do Ministério da Defesa.

O desmentido feito pelo militar acontece após forte reação de representantes dos três poderes após matéria publicada pelo jornal “O Estado de S.Paulo” nesta quinta-feira (22), onde relata que Braga Netto teria enviado "um duro recado" ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) por meio de um importante interlocutor político para pressionar pela aprovação da PEC do voto impresso. 

Segundo a reportagem, o fato teria ocorrido no último dia 8 de julho. Braga Netto teria enviado um recado a Lira de que “não haveria eleições no ano que vem” se a proposta não fosse aprovada no Congresso.

Um dos primeiros a se manifestar foi o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Roberto Barroso, que também é presidente do TSE. Ele disse ter procurado o general e o deputado, que negaram “enfaticamente” o episódio.

Pelas redes sociais, Arthur Lira afirmou que a despeito do que sai ou não na imprensa, haverá eleições em outubro do ano que vem, através do voto popular secreto e soberano.

O vice-presidente Hamilton Mourão foi outro a rechaçar a possibilidade. “Lógico que vai ter eleição. Não somos república de banana”, disse.

Deputados da oposição já falam em convocar Braga Netto para dar explicações. 

O jornal  “Estado de S. Paulo” se defendeu das acusações de governistas e reafirmou as informações apuradas pela sua reportagem.

Bolsonaro volta a falar em fraudes nas urnas

Nesta quinta, Jair Bolsonaro voltou a criticar o sistema eleitoral que usa a urna eletrônica e centraliza a contagem dos votos no Tribunal Superior Eleitoral.

“Eu não estou acusando servidores do TSE. Eu não posso admitir que meia dúzia de pessoas tenham a chave criptográfica de tudo, e essa meia dúzia pessoas, de forma secreta, conte os votos numa sala lá do TSE”, disse em declaração feita a uma rádio do Paraná.

O presidente reafirmou que na próxima semana vai apresentar provas de fraude na eleição de 2014.

A proposta da impressão do voto vai voltar ao debate na comissão especial da câmara no dia 5 de agosto. Diante da resistência de pelo menos 14 partidos, o presidente já avaliou que o projeto não deve ser aprovado.

Sérgio Amaral explica repercussão em Brasília de acusação contra Braga Netto; assista