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Brasil atrasou entrada no Covax Facility e abriu mão de 43 milhões de vacinas

Telegramas indicam estratégia para 'ganhar tempo' em negociações

Da Redação, com BandNews TV 10/06/2021 • 11:49 - Atualizado em 10/06/2021 • 11:54

O governo brasileiro negou a compra de 43 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 junto ao programa Covax Facility, formado por OMS (Organização Mundial da Saúde), Aliança Gavi (iniciativa da Fundação Bill e Melinda Gates para a distribuição internacional de vacinas) e Cepi (sigla em inglês para Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias). A informação foi divulgada nesta quinta-feira (10) pelo jornalista Jamil Chade, correspondente da BandNews TV na Europa.

Segundo apuração, a Aliança Gavi enviou ao Brasil uma proposta no primeiro semestre de 2020 para aderir ao plano global de imunização. Desta forma, o País teria acesso a 86 milhões de doses de vacinas, o que poderia imunizar 20% dos brasileiros com duas doses.

Após longa negociação, no entanto, o Brasil optou por recusar a oferta e comprar apenas 43 milhões de doses, metade do total ofertado. O volume, segundo regras da Covax Facility, era o menor que o Brasil poderia adquirir no acordo com a organização.

À época, telegramas sigilosos entre a missão do Brasil em Genebra (Suíça), então liderada pela embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo, e o Ministério das Relações Exteriores sinalizam com uma tentativa de “ganhar tempo” no processo de negociação. 

A Aliança Gavi havia estipulado o prazo de 30 de junho de 2020 para que países interessados manifestassem interesse em participação do consórcio. Porém, em telegrama à Suíça, o governo federal pedia esclarecimentos “para tomar decisão mais informada a respeito da conveniência, para o Brasil, de empregar recursos no Covax Facility”, tentando prorrogar o prazo até o fim de agosto. Os telegramas são parte da documentação à qual a CPI da Pandemia teve acesso.

Em 2 de julho de 2020, já depois do prazo inicial, o Itamaraty informou à representação diplomática na Suíça sobre a intenção de formalizar o interesse em aderir ao Covax Facility. O programa já havia feito uma primeira reunião três meses antes. Ausente, o Brasil afirmou na época que buscava outras parcerias.

O Brasil chegou a participar de uma segunda reunião, justamente em 30 de junho de 2020, mas ponderou ao ter acesso à lista inicial de vacinas que fariam parte do consórcio. Eram nove:

  1. Universidade de Oxford-AstraZeneca
  2. Clover BioPharmaceuticals
  3. Instituto Pasteur
  4. Universidade de Hong Kong
  5. Novavax
  6. Universidade de Queensland
  7. Moderna
  8. Inovio Pharmaceuticals
  9. CureVac

O acordo com a Covax Facility permite não apenas a transferência de tecnologia entre os países participantes, como também oferece melhores termos de negociações dos países com múltiplas empresas, entre outros benefícios.

A adesão oficial do Brasil ao Covax Facility só aconteceu em 2 de março de 2021, dia em que a lei sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi publicada no Diário Oficial da União.

Bolsonaro já havia assinado em setembro as Medidas Provisórias 1003/2020 e 1004/2020, a respeito da liberação de R$ 2,5 bilhões para viabilizar a participação brasileira na iniciativa.

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