Brasil Urgente

Farmácia do RS admite envio de áudio preconceituoso e demite funcionária

Gravação divulga restrições a contratações de pessoas gordas, tatuadas e homossexuais

Ticiano Kessler, do Brasil Urgente 22/10/2021 • 18:23
Gravação divulga restrições a contratações de pessoas gordas, tatuadas e homossexuais
Gravação divulga restrições a contratações de pessoas gordas, tatuadas e homossexuais
Reprodução

A rede de farmácias São João reconheceu que partiu de uma coordenadora da empresa um áudio preconceituoso a respeito do processo de seleção de funcionários para lojas do litoral gaúcho.

A informação havia sido inicialmente negada pela empresa. Na gravação, a funcionária anuncia regras para evitar a contratação de funcionários gordos, com piercings e tatuagens, ou homossexuais.

“Vocês sabem que feio e bonito é o mesmo preço, né, gente? Então vamos cuidar muito nas nossas contratações. Pessoas muito tatuadas, vocês sabem que a empresa não gosta. A questão (de) piercing na língua, no nariz, na testa... Não pode. A gente lida com saúde”, diz.

“Pessoas muito gordas, vocês sabem que... Então, assim: cuidem as aparências. Cuidem as aparências”, diz. “Se pegar de um... com todo o respeito, viado e tudo mais, tem que ser uma pessoa alinhada, que não vire a mão e desmunheque, fale... Né?”

Em nota, a empresa informa que concluiu uma sindicância interna. Alega que a ação da colaboradora não era de conhecimento da direção, e que foi um ato isolado, que não condiz com as práticas da empresa. A funcionária foi demitida.

O áudio começou a circular em aplicativos de mensagens no último fim da semana. Dias depois, o MPT-RS (Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul) abriu um inquérito civil para apurar a conduta da empresa. Já a Polícia Civil abriu um inquérito criminal. A mulher é investigada por homofobia.

O delegado Antonio Carlos Ractz deve ouvir os depoimentos de um diretor e de gerentes das lojas na próxima semana. O celular funcional de onde os áudios teriam sido enviados também deve ser entregue à polícia, que apura se o caso é mesmo isolado.