Brasil Urgente

Em depoimento, caseiro preso cita atenção dada por fazendeiro a Lázaro

Alain Reis de Santana diz que foragido se recuperou de machucado por ser 'apoiado por Elmi Caetano'

Da Redação, com Brasil Urgente 25/06/2021 • 18:26 - Atualizado em 25/06/2021 • 18:53
Alain Reis de Santana diz que foragido se recuperou de machucado por ser 'apoiado por Elmi Caetano'
Alain Reis de Santana diz que foragido se recuperou de machucado por ser 'apoiado por Elmi Caetano'
Reprodução TV

Um dos homens presos na noite de quinta-feira (24) durante as buscas a Lázaro Barbosa de Souza no Entorno de Brasília afirmou que o foragido foi abrigado por um fazendeiro e fez ameaças para evitar contato com policiais. As informações são do Brasil Urgente.

Elmi Caetano Evangelista, de 73 anos, e Alain Reis de Santana, de 33 anos, foram presos em flagrante em Girassol, povoado da cidade de Cocalzinho de Goiás, e levados a Águas Lindas de Goiás. Ambos passaram por audiência de custódia na tarde desta sexta-feira (25).

Em depoimento às autoridades na noite da prisão, Alain afirmou ter confirmado a presença de Lázaro Barbosa na propriedade rural de Elmi Caetano e que o foragido usava um celular a todo momento para falar com alguém. O caseiro ainda disse que não entregou o foragido aos policiais porque foi ameaçado – Lázaro teria dito que conhecia a família de Alain “e iria matar todo mundo”.

“O proprietário de uma fazenda na noite anterior não havia franqueado a entrada, ao mesmo tempo que o caseiro da fazenda saía para fora da sede. No momento, os policiais se aproximaram e avistaram um indivíduo adentrando para a mata. Ao indagaram Alain sobre quem era aquela pessoa, ele afirmou ser Lázaro Barbosa”, registra o depoimento de Alain, ao qual a reportagem teve acesso.

O documento registrou também que Alain “afirma ainda que Lázaro chegou nos primeiros dias com a perna machucada, porém atualmente está em boas condições, pois está sendo apoiado por Elmi Caetano”. O foragido teria passado cinco dias na propriedade.

“(Alain) narrou que ouviu Elmi gritando em direção à mata: ‘Vem almoçar, Lázaro’. E no período noturno, quando iriam se ausentar, gritava: ‘A porta vai ficar aberta’. Além disso, Alain apontou à equipe um local, às margens do córrego, onde Lázaro fumava maconha rotineiramente”, registrou o depoimento da noite de quinta-feira.

Advogados divergem

O advogado de Elmi Caetano, Ilvan Barbosa, divergiu a respeito do depoimento de Alain e alegou que o depoimento não dizia respeito ao foragido.

Na tarde desta sexta-feira, Ilvan disse que “é inverídico” que o fazendeiro tenha ajudado a acobertar a presença de Lázaro. Além disso, negou que o caseiro tenha afirmado em depoimento que Lázaro Barbosa estivesse na propriedade rural.

“Pelo que eu me lembre da audiência, que foi muito comprida, muito cansativa, ele diz que sofreu ameaça de alguém. Mas ele não sabe se é Lázaro”, assegurou. 

Ainda de acordo com Ilvan, Elmi Caetano chamava Alain de Lázaro em tom de brincadeira, o que pode ter sido interpretado de maneira equivocada no depoimento. O funcionário da fazenda, segundo o advogado, “não sabe se era o Lázaro” a pessoa vista.

“Pode ser e pode não ser. Eu não estava lá. Eu estou falando só o que eu escutei”, disse Ilvan Barboa, que afirmou que o fazendeiro “desconhece Lázaro”.

No entanto, ao Brasil Urgente, o advogado de Alain, Adenilson dos Santos, afirmou que o caseiro assegura ter visto Lázaro Barbosa na propriedade de Emil Caetano. Segundo o representante do funcionário, Alain cumpre regime semiaberto e mora nos fundos da casa do pai de Lázaro, indicando que o depoimento está sujeito a diversas pressões e possíveis ameaças.

“A versão do cliente, ele diz que sim, viu o Lázaro, da forma que está no depoimento dele prestado ontem à noite. Mas é bom lembrar que talvez não tenha sido o Lázaro. As pessoas veem o Lázaro o tempo todo”, explicou Adenilson.

“De um lado, meu cliente tem passagens criminais. Do outro lado, é importante que se diga, tem um senhor de idade, de 73 anos. São teses conflitantes. O Alain diz que seu Elmi ajudou o Lázaro na fuga, de alguma forma.”