Brasil Urgente

Ônibus do PCC: Facção expulsou funcionários de empresa investigada

Investigação do Deic acredita que boa parte do transporte coletivo de São Paulo está nas mãos do PCC

Marcelo Moreira 25/06/2022 • 17:27 - Atualizado em 25/06/2022 • 18:03

Uma investigação do Deic - Departamento Estadual de Investigações Criminais - aponta que o PCC expulsou funcionários que não eram integrantes da facção de uma das empresas de ônibus investigadas.

O Deic quer ouvir os motoristas de ônibus que foram obrigados a parar de trabalhar para dar lugar a integrantes do crime organizado.

A investigação acredita que boa parte do transporte coletivo de São Paulo está nas mãos do PCC. A Upbus e a Transunião possuem quase mil veículos em circulação na capital paulista.

As próximas etapas da investigação preveem prisões e mais bloqueios de bens dos envolvidos com a lavagem de dinheiro em empresas de ônibus.

Além da capital e grande São Paulo, a força tarefa composta pela polícia civil e o ministério público já mira garagens de ônibus da baixada santista

Presidente de emprega nega acusações

O presidente da Transunião, Lourival França, prestou depoimento e afirmou que não sabe o que Jair Ramon Freitas, o Cachorrão, acusado de matar um ex-diretor de operações fazia na empresa.

Ele também não soube dizer quantos ônibus o vereador Senival Moura tinha na empresa, embora tivesse declarado apenas um veículo.

A Polícia Civil investiga a ligação do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que domina o tráfico de drogas em São Paulo, com o transporte público da capital paulista.

Nos últimos meses, uma investigação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) encontrou indícios e provas do envolvimento da facção com empresas de ônibus urbanos, que deflagraram operações realizadas em um intervalo de duas semanas.  

De acordo com a polícia e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), ao menos duas empresas de ônibus que atuam na capital paulista, com contratos milionários com a Prefeitura de São Paulo, são suspeitas de terem ligação com a quadrilha.  

Juntas, as empresas investigadas transportam cerca de 840 mil passageiros por dia. Esse número representa cerca de 12% de todos os usuários do sistema público da capital diariamente.

Em média, cerca de 7,2 milhões de passageiros são transportados diariamente, em uma frota de 11.925 ônibus rodando em São Paulo. Os dados são da Secretaria de Mobilidade e Trânsito (SMT).  

A suspeita da polícia é que as empresas de ônibus de São Paulo sejam usadas por membros do PCC para lavar dinheiro.

Até o momento, duas prisões foram feitas. São dois homens acusados de serem os executores de ex-diretores de empresas que coordenam linhas de ônibus da capital. A polícia espera seguir com as investigações e analisar documentos colhidos para pedir a prisão de mais pessoas envolvidas no esquema.