Brasil Urgente

Hacker nega envolvimento em morte de “Cara Preta”, líder do PCC

Pablo Borges disse que só viu o megatraficante Anselmo Santa Fausta uma única vez e sustenta que não tinha qualquer relação com ele

Lucas Martins 22/02/2022 • 19:15 - Atualizado em 22/02/2022 • 19:30
Pablo Henrique Borges é suspeito de envolvimento na morte de "Cara Preta"
Reprodução

O empresário e hacker Pablo Henrique Borges negou, em depoimento prestado nesta terça-feira (22) à polícia de São Paulo, qualquer envolvimento na morte de Anselmo Becheli Santa Fausta, o “Cara Preta”, um dos líderes da facção criminosa PCC, e seu comparsa Antônio Corona Neto, o “Sem Sangue”, no fim de dezembro de 2021, em São Paulo.

No entanto, Pablo afirmou que é amigo e possui negócios com Vinícius Gritzbach, outro empresário preso por suspeita de envolvimento nos crimes.

O hacker disse que só viu Anselmo uma única vez e sustenta que não tinha qualquer relação com ele, seja pessoal ou de negócios.

Ainda no depoimento, Pablo confirmou que o agente penitenciário David Moreira da Silva trabalhou como segurança dele.

David é apontado como intermediário entre os empresários e Noé Schaun, apontado como o matador de aluguel e que depois foi morto e esquartejado e teve a cabeça deixada perto do local de execução de Anselmo, no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital.

A reportagem do Brasil Urgente teve acesso ao depoimento do agente penitenciário. Ele disse que trabalho com Pablo pouco mais de dois anos, entre 2018 e o final de 2020 e também confirmou que Pablo e Vinícius se encontraram cerca de duas vezes por mês no escritório de Vinícius ou algum restaurante.

David, que também está preso, não entregou o celular à polícia. Ele diz que dispensou o telefone e alegou que foi um ato impensado quando soube que corria risco de vida, ameaçado pelo crime organizado.

Uma investigação do DHPP aponta que os empresários Antônio Vinícius Gritzbach e Pablo Henrique Borges chegaram a lavar cerca de R$ 2 bilhões para o PCC em investimentos como imóveis e criptomoedas. Mas, por algum motivo que a polícia ainda não conhece, “Cara Preta” exigiu a devolução de US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 100 milhões) e fez ameaças. Este teria sido o motivo da execução do megatraficante, em uma trama de cifras bilionárias.

Outro dos suspeitos de envolvimento nas mortes, o agente de jogadores de futebol Carlos Almeida, conhecido como Django, também foi executado. Ele estaria entre os empresários que sequestraram Vinícius cobrando a morte de “Cara Preta” e teria sido morto pelo Tribunal do Crime porque defendeu a versão de Vinícius no cativeiro.

Os outros empresários apontados com ligação com as execuções de Cara Preta e “Sem Sangue” e com prisão pedida pela Justiça continuam foragidos. São eles: Robinson Moura, dono de um restaurante no bairro do Tatuapé; Rafael Maeda, investidor em uma empresa de marketing esportivo; e Danilo Lima, o “Tripa”, empresário de jogadores de futebol.

A morte de Cara Preta, no fim de dezembro de 2021, desencadeou uma série de outros crimes.

Vídeo: hacker preso movimentou montante de R$ 2 bilhões

“Cara Preta” estaria envolvido em roubo de aeroporto e tráfico internacional

Investigações sobre o roubo de 770 quilos de ouro no aeroporto de Guarulhos, em 2019, apontam que “Cara Preta” financiou aquela ação. Parte da quadrilha envolvida no roubo milionário foi presa, e alguns integrantes foram até condenados pelo roubo da carga, hoje avaliada em mais de R$ 250 milhões. 

De acordo com o Ministério Público, o traficante morto era peça chave da logística do tráfico internacional de drogas e responsável pela rota da cocaína entra a Bolívia, o Brasil e a Europa a partir do Porto de Santos (SP). É o setor mais lucrativo dentro do crime organizado, que deu fortunas a nomes como Gegê do Mangue, André do Rap e Anderson Gordão.

Apesar da posição de destaque no crime organizado, “Cara Preta” foi preso poucas vezes, e sempre por crimes menores. Era considerado pela polícia um alvo difícil, por ser um criminoso discreto. 

Vídeo: Chefão do PCC executado teria financiado roubo de ouro em aeroporto

No momento da execução, ele estava em um carro simples, como preferia, justamente pra não chamar a atenção. Mas o motorista do veículo levava nos bolsos e na jaquetas maços com grande quantidade de dinheiro.

Nova onda de mortes de chefões do PCC começou em 2018

As execuções recentes na zona leste podem ser mais um capítulo da guerra de poder dentro do PCC, que passa por uma disputa sangrenta entre criminosos do alto escalão do chamado “partido do crime”.

Santa Fausta se tornou um dos chefões do tráfico na facção depois de execuções de outros líderes na mesma região da capital paulista.

A onda de mortes começou em 2018, depois que “Gegê do Mangue” foi assassinado junto com o sócio “Paca”, na região metropolitana de Fortaleza.

Antes, Eduardo Ferreira foi morto em um carro de luxo com quase 30 tiros. Dias depois, foi a vez de Wagner Ferreira, o “Cabelo Duro”, em outro ponto da zona leste após emboscada diante de um hotel.