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Atualizado em segunda-feira, 23 de abril de 2012 - 13h48

Operários de Belo Monte entram em greve

Sintrapav já havia anunciado o início da greve devido ao andamento das negociações das reivindicações da categoria

Os trabalhadores da Usina Hidrelétrica de Belo Monte paralisaram nesta segunda-feira as atividades no canteiro de obras. Na semana passada, o Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado do Pará), descontente com o rumo das negociações, já havia anunciado a greve.

Entre as reivindicações dos trabalhadores, duas ainda não foram atendidas: a redução do período de baixada [quando eles recebem uma folga de nove dias para visitarem as famílias, com passagens pagas pelo CCBM, e o aumento do vale-alimentação, dos atuais R$ 95 para R$ 300. O consórcio só acenou com um aumento de R$15.

Dos cerca de 7,7 mil trabalhadores, apenas 850 estão cumprindo expediente nos serviços considerados essenciais para os alojamentos nos cinco canteiros da obra – principalmente nas áreas de saúde, água e esgoto, segurança patrimonial, alimentação, além de alguns eletricistas e pedreiros. Segundo o CCBM (Consórcio Construtor Belo Monte), a manutenção desses serviços básicos “é uma exigência legal”.

No início da manhã de hoje, os trabalhadores fizeram uma barricada no acesso ao Travessão 27, local que liga a Rodovia Transamazônica à estrada de terra para os sítios Pimental e Canais e Diques. Segundo o vice-presidente do Sintrapav, Roginel Gobbo, os trabalhadores fizeram barricadas, mas os serviços essenciais foram mantidos.

“Fizemos algumas barricadas, mas apenas para explicar aos trabalhadores o que estava acontecendo. Não impedimos ninguém de trabalhar, mas deixamos clara a necessidade de eles aderirem à greve, até porque ela foi votada e decidida por eles. Além disso, pedimos ao CCBM que identificasse os ônibus que transportariam os funcionários responsáveis pelos serviços essenciais. Não houve nenhuma objeção a eles serem levados aos canteiros”, acrescentou o sindicalista.

“Estamos abertos à negociação e aguardamos a manifestação do CCBM. Qualquer movimentação deles, no sentido de atender nossas propostas, pode interromper a greve”, disse Gobbo. A empresa, no entanto, disse que, “a princípio, não deverá haver negociação com o sindicato”, nesse primeiro dia de greve. O consórcio deve divulgar ainda hoje uma nota sobre a paralisação dos trabalhadores.