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João Carlos Martins relembra diagnóstico de distonia focal: “Achavam que era psicológico”

Maestro diz ter sentido os primeiros sintomas da doença aos 18 anos

Da redação 30/05/2021 • 10:24 - Atualizado em 31/05/2021 • 12:23

Um dos maiores nomes da música clássica brasileira, o maestro João Carlos Martins é o convidado deste domingo, 30, do Canal Livre. O programa, que foi ao ar às 20h no BandNews TV e na Band, falou da carreira, da vida e dos novos projetos do músico, com apresentação de Rodolfo Schneider e participação de Fernando Mitre e Gisele Kato.

Vivendo com distonia focal há anos, João Carlos recorda que, ao procurar um diagnóstico para o que sentia, ainda jovem, não encontrou muita informação. “Os médicos achavam que era psicológico”, explica. Sem ajuda, passou a buscar outras alternativas para lidar com a dor. “Driblei o meu cérebro por muitos anos e ele me derrubou por alguns outros.”

O maestro, que começou a tocar aos 8 anos e com 13 já estava se apresentando, diz que o problema começou aos 18 anos em uma apresentação no Teatro Municipal.  Algum tempo antes, no entanto, aos 16, já sentia dificuldade para abotoar o pijama antes de dormir. “Convivi com desconforto ou com dor desde os 18 anos até hoje, aos 80”, lamenta.

Quando passou a entender seu corpo, João Carlos notou que dormir o ajudava a se recuperar. Começou então a pedir para chegar antes em suas apresentações e dormir até poucos minutos do início delas. Algumas vezes, por não conseguir repousar, chegou a cancelar concertos. “A dor era impossível, eu não conseguia conviver”, explicou ao mostrar a mão direita e o músculo de um dos dedos, que precisou ser cortado.

Aos 80 anos, um importante balanço sobre a vida o fez entender que precisava corrigir seus erros e aprimorar suas habilidades. “Hoje estou anunciando os meus projetos para os próximos 20 anos [...] estou totalmente focado no que a inclusão social, através dos jovens e da música, significou na minha vida.”

O músico também se orgulha da coragem de mostrar suas mãos ao mundo e ajudar em avanços da medicina. "Entendi como a prática pode ajudar a ciência e como a ciência pode resolver o problema”, analisa.

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