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Sobrevivente da tragédia em Capitólio faz "vaquinha" para piloto comprar lancha

Meta é arrecadar R$ 400 mil; até o momento, campanha online conseguiu cerca de R$ 8 mil

da Redação 20/01/2022 • 07:51 - Atualizado em 20/01/2022 • 07:54
Capitólio: sobrevivente faz "vaquinha" para piloto
Capitólio: sobrevivente faz "vaquinha" para piloto
Divulgação/Bombeiros MG

Sobreviventes da tragédia em Capitólio (MG) criaram uma “vaquinha” virtual para arrecadar fundos para o proprietário da lancha em que estavam e foi totalmente destruída no momento do acidente.

“Somos um grupo de amigos e familiares, sobreviventes da tragédia de Capitólio. Criamos essa ‘vakinha’ para ajudar o Guilherme, proprietário da lancha que alugamos para fazer o passeio, a comprar uma lancha nova, pois a que estávamos teve perda total e ele precisa de outra para trabalhar", diz a descrição da vaquinha, criada por Ana Martins da Costa.

“Sensibilizados com essa situação, buscamos uma maneira de apoiá-lo financeiramente. Nosso objetivo é conseguir o valor total da lancha", completa o texto. A meta da vaquinha é arrecadar R$ 400 mil. 

Até o momento, conseguiu cerca de R$ 8 mil. 

Vídeo: vítimas fatais estavam na mesma lancha

Tragédia em Capitólio (MG)

Quatro lanchas foram atingidas por um deslizamento de pedras causado por uma “tromba d'água” na região dos cânions no Lago de Furnas, em Capitólio, Minas Gerais, no dia 8 de janeiro. 

As embarcações levavam turistas. Dez pessoas morreram.

A Marinha do Brasil informou, em comunicado, que um inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias do acidente. O trabalho é feito em conjunto com a Polícia Civil da região.

Foto indicava perigo

Uma foto tirada em 2012 por um turista já alertava para os riscos de uma enorme rachadura no paredão que desabou. Segundo o engenheiro geotécnico Paulo Afonso, a foto indica que o local deveria ter sido internado há anos para que não recebesse turistas.  

“Sim, é um sinal de perigo. Essa trinca está muito grande. Podemos comparar com esse senhor que aparece embaixo e observar que a largura é maior do que a espessura de uma pessoa. Podemos falar grosseiramente em mais de 30 cm”, explicou. 

"É uma evidência, um sinal iminente de tombamento do bloco. Com uma trinca dessa magnitude ninguém poderia estar ali embaixo. Deveria haver uma linha de segurança, aqueles barris boiando informando que era uma região perigosa”, completou o engenheiro.

Vídeo mostra desespero

Um vídeo divulgado pela BandNews TV mostra o desespero de turistas e guias que presenciaram o deslizamento de pedras. 

As imagens foram gravadas por pessoas que estavam em uma embarcação mais distante do local do acidente. Elas observam o início do descolamento da rocha e tentam alertar passageiros e tripulantes de outras lanchas. 

“Está caindo pedra! Aquele ‘pedação’ ali vai cair. Sai daí! Vai cair!”, gritam. Em poucos minutos, a rocha desaba e atinge quatro embarcações. 

Responsabilidades

O engenheiro especialista em gerenciamento de riscos Gerardo Portela disse que o vídeo acima revela o “despreparo” dos guias turísticos que comandavam as expedições na cidade.

“Esse vídeo acrescenta muito. Mostra o despreparo dos guias turísticos diante do que está acontecendo. Houve tempo suficiente para se afastar, mesmo considerando que estavam em barcos muito cheios, com motores de pouca potência. Eles se posicionaram de forma errada, de proa para a região de perigo. Um deles não teve como reverter e apontar para a rota de fuga, retardando o processo", explicou.

Vídeo: buscas são suspensas em Capitólio

“Essas pessoas não estavam preparadas para perceber o que estava acontecendo, isso é grave. Subestimaram o que estava acontecendo, mostraram tudo como se fosse um atrativo. Temos aí questões envolvendo até mesmo código penal", declarou.

De acordo com o especialista, caso a suspeita se confirme após a investigações oficiais, as empresas de turismo responsáveis pelos guias e as autoridades locais poderão ser responsabilizadas.