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CEO de laboratório explica por que China escolheu o Brasil como parceiro na vacina contra Covid-19

Da Redação, com BandNews TV 27/09/2020 • 15:39 - Atualizado em 28/09/2020 • 12:11
BandNews TV entrou no laboratório que produz Coronavac
BandNews TV entrou no laboratório que produz Coronavac
Reprodução/BandNews TV

O BandNews TV teve acesso exclusivo às instalações do laboratório chinês Sinovac/BioNTech, que está na liderança da corrida por uma vacina contra o coronavírus. A farmacêutica produz a Coronavac, uma das quatro vacinas chinesas, que já estão na última fase de testes contra a Covid-19. A China escolheu o Brasil como um dos parceiros na produção da vacina. Mas por quê?

Em entrevista, o CEO do Sinovac/BioNTech, Yin Weidong, disse que um dos motivos que fez a empresa optar pelo Brasil foi a gravidade com que o país foi atingido – já são mais de 4,7 milhões casos, e o número de mortos já ultrapassou a marca de 140 mil.

Segundo Weidong, é possível que os testes sejam encerrados em dezembro, para em seguida a vacina ser distribuída à população.

“Segundo as informações da parte brasileira, está concluída a vacinação dos voluntários, e o recolhimentos dos dados está previsto para novembro ou dezembro. Caso os dados recolhidos correspondam aos exigidos pelos órgãos supervisores do Brasil e da China, será possível colocar o produto no mercado. O final do ano é uma estimativa otimista”, disse Weidong.

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Uma equipe da CCTV, emissora chinesa parceira do Grupo Bandeirantes, teve acesso às instalações com exclusividade. No total, a China tem 11 pesquisas de vacinas contra a doença. A Coronavac está sendo testada também no sudeste asiático e na América Latina.

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a participação de 13 mil pessoas no teste da vacina e o laboratório chinês fechou uma parceria com o Instituto Butantan para produzir e distribuir a Coronavac assim que os testes forem concluídos.  

A expectativa é de que em dezembro alguns grupos específicos, como o de médicos, já sejam vacinados no Brasil e que no início de 2021 a imunização seja ampliada para boa parte da população.

A reportagem completa será exibida nesta segunda-feira, 28, no Jornal da Band e no BandNews TV.

Leia a entrevista:

Situação da vacina

O Instituto Butantan é uma empresa especializada nas vacinas com uma história longa e influência significativa em toda a América Latina. A nossa cooperação se concentra na produção da vacina inativada contra o Covid-19, um projeto que a China está promovendo com todo o esforço a partir de janeiro deste ano. Concluímos aqui na China todo o processo da pesquisa antes de testar em seres humanos, ou seja, a pesquisa com animais primatas mais semelhantes ao homem, e vimos um bom efeito de proteção. Com base nisso, concluímos na China a primeira e a segunda etapas de testes clínicos em seres humanos, com o objetivo de determinar a dose e o procedimento da vacinação, e depois aplicamos essa dose e esse procedimento na terceira etapa de testes que estão sendo realizados agora no Brasil.

Por que o Brasil foi escolhido?

Em primeiro lugar, temos um bom parceiro no Brasil, que é o Instituto Butantan. Como a distância geográfica entre China e Brasil é longa, o custo do material e do tempo no transporte é relativamente alto. Então pensamos em procurar um parceiro na América Latina para transferir a nossa tecnologia. Nós oferecemos produtos semiacabados, e o parceiro é responsável pelo subpacote, embalagem e fornecimento na região. O Instituto Butantan tem uma forte capacidade na embalagem, na distribuição de vacinas e no controle rígido de qualidade. Além de possuir um pessoal muito qualificado, o instituto tem alcance para toda a América Latina. Nós não só precisamos de um parceiro, como também um órgão supervisor, e o Brasil tem todas as condições para isso. O fato de ser uma região que sofreu gravemente com a pandemia e ser um país com grande população são também razões para que nós escolhêssemos o Brasil.  

Transferência de tecnologia

Estamos desenvolvendo a terceira etapa de testes clínicos em seres humanos, incluindo a assinatura de contrato, o envio de vacinas para o Brasil e o uso nos voluntários. Até o momento, cerca de seis mil pessoas estão envolvidas nos testes. Estou convencido de que os testes terão resultados objetivos. Em primeiro lugar, a vacina é segura. Em relação ao efeito, precisamos avaliar conforme a futura incidência nos voluntários. Em resumo, o projeto é viável, o controle de qualidade durante o teste é rígido, e mantemos contatos estreitos com os órgãos supervisores do Brasil e da China.

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Previsão da data de vacinação

Segundo as informações da parte brasileira, está concluída a vacinação dos voluntários brasileiros, e o recolhimentos dos dados está previsto para novembro ou dezembro. Caso os dados recolhidos correspondam aos exigidos pelos órgãos supervisores do Brasil e da China, será possível colocar o produto no mercado. O final do ano é uma estimativa otimista.

Mutação do vírus  

A mutação do vírus se refere a diferenças em sua sequência de ácido nucleico. Até o momento, percebemos que tanto os animais como os humanos são resistentes ao vírus de Covid-19 de todo o mundo depois serem vacinados com nosso produto. Isso prova que a nossa vacina tem capacidade de defender a mutação para o vírus de Covid-19. Mas a nossa equipe continua fazendo testes nos países como Brasil, Indonésia, Turquia e Bangladesh. O objetivo é coletar mais dados relativos ao enfrentamento de uma possível mutação.

SARS de 2003 ajuda pesquisa de vacina de Covid-19?

Sim, a epidemia de SARS em 2003 ofereceu experiências preciosas para a nossa empresa. Desde então, estabelecemos o primeiro laboratório para fazer pesquisa sobre vacina inativada. Usamos essa vacina como reserva técnica. O lançamento da vacina de Covid-19 desta vez tem uma ligação forte com as experiências anteriores.

Cooperação com Brasil no futuro  

Eu adoro o Brasil, é um país de cultura diversificada, mas a distância interrompe a cooperação com nível mais alto e aberto entre os dois países. Mesmo assim, a China valoriza o mercado da América Latina, assim como a Sinovac. Queremos aumentar o investimento e oferecer mais produtos no mercado sul-americano. Acredito que seja o mesmo para a nosso parceiro no Brasil. Por isso a expectativa para a nossa cooperação no futuro é grande. A vacina de Covid-19 é o ponto inicial. Esperamos poder cooperar e desenvolver mais vacinas contra as doenças tais como hepatite A, gripe, febre aftosa, entre outras.

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