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Ciro Gomes ataca Bolsonaro: "Paranoide imbecil com traço de canalhice"

Pré-candidato à presidência teceu críticas ao governo e disse que presidente não chegará ao segundo turno

Da Redação, com Canal Livre 15/08/2021 • 19:51 - Atualizado em 15/08/2021 • 21:15

O Canal Livre deste domingo, 15, recebeu o ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes. Candidato à presidência da República pela quarta vez, ele analisou o atual momento do país e revelou seus planos políticos para a disputa eleitoral de 2022. 

“É necessário que o Brasil celebre um novo modelo econômico e um novo modelo de governança política. Ainda que eu não esteja solitário, [há] um apelo para que a população brasileira nos livre dessa bola de chumbo que nos prende ao passado. O momento brasileiro pede muito equilíbrio, muita autoridade e muita severidade”, disse o pré-candidato à presidência.

Ciro Gomes afirmou que, aos 63 anos, está mais maduro e pretende ser menos incisivo em suas colocações. 

“Percebi que muitas vezes uma frase mais forte, que é a expressão da minha indignação, muito mais assusta do que comovem. E a mensagem, para um bom comunicador, pertence a quem recebe e não a quem emite. Não me custa nada aprender com os erros que cometi”, completou.

Bolsonaro

Para o presidenciável do PDT, o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido), não irá disputar o próximo ciclo eleitoral. 

“É um palpite. Se você reparar, na história moderna do país, somente três presidentes da República terminaram o mandato naturalmente: Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso e Lula. Qual a característica dos três? Cooptar adversários, contemporizar antagonismos”, explicou.

“Bolsonaro é o oposto. Historicamente, ele não está na linha dos presidentes que escaparam dos suicídios, das renúncias e dos impeachments. Depois, a psicologia do Bolsonaro está se agravando. É um paranoide imbecil, com traço de canalhice muito grave. Um grande pilantra envolvido em corrupção. Ele roubava dinheiro de gasolina na Câmara Federal. Isso tudo posso provar, tanto é que ele não me processa”, disparou.

Ciro ainda criticou a forma que o atual mandatário brasileiro está conduzindo o Brasil na pandemia. 

“Hoje, dá para demonstrar que [Bolsonaro] é o político que mais suborna e é subornado por essa estrutura fisiológica e corrupta da vida brasileira. Portanto, a probabilidade de ele não estar nas eleições é muito grande. E, estando, a probabilidade de não estar no segundo turno é maior ainda”, afirmou.

Lulopetismo

Dado quase como nome certo no segundo turno das eleições de 2022, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva também foi criticado por Ciro Gomes. O político falou sobre a forma de governar adotada pelo PT durante o governo, que ficou marcada por denúncias de corrupção.

 “Lula é uma espécie de crime perfeito, em que se exercita uma economia política absolutamente conservadora”, criticou. 

“Em tudo, foi a mesma economia política desenhada pelo FHC. No entanto, a exuberância da personalidade de Lula entorpece a juventude de esquerda, inclusive o PSOL. O [julgamento do] Lula não teve seu processo devido legal, mas seu governo foi organicamente corrupto! O símbolo eloquente disso é o Antônio Palocci, que foi fundador do modelo lulopetista”, disse.

Plano de governo

Entre os planos de governo propostos por Ciro Gomes está a reforma da previdência, o redesenho do pacto federativo, o fim do teto de gastos e a revisão das privatizações. 

“Eu tenho uma longa vida pública decente, aqui não cabe modéstia. Nunca fui acusado por qualquer corrupção – e nada mais é do que minha obrigação. Dentro dos presidenciáveis, nenhum acumulou a experiência que eu tenho. Depois, eu tenho um projeto”, disse.

“Negociar é uma prerrogativa da democracia. São 36 partidos políticos registrados. O que eu vou fazer de diferente? O tempo da reforma: seis meses. O presidencialismo brasileiro tem um declínio da capacidade reformista com o passar do tempo. O esgarçamento da promessa vai enfraquecendo o poder do presidente”, explicou.

A ideia do ex-governador do Ceará é também redesenhar o pacto federativo, já que hoje cinco estados são os maiores devedores da União. 

“23 estados, dos 27, hoje estão quebrados. Precisamos ir em socorro”, disse. Já sobre o teto de gastos, Ciro afirmou que se trata de uma “loucura” e citou o exemplo feito em Sobral (CE) como projeto de educação. “Essa gente colocou que está proibido gastar por 20 anos. Nós estabelecemos um teto de gasto no gasto corrente. Todo o investimento é livre”, afirmou.

O presidenciável ainda criticou a privatização das empresas públicas. “Sem nenhum planejamento, é muito imprudente você desmobilizar patrimônio. O que eles estão fazendo é um assalto ao patrimônio brasileiro. Não tem projeto. Faz 50 anos que ninguém constrói nada no Brasil e só vende. Não está errado isso não?”, questionou.

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