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Corpo de Elza Soares é sepultado no Rio de Janeiro

Familiares e amigos se despediram da cantora. Ela faleceu na última quinta (20), aos 91 anos, de causas naturais

Da redação 21/01/2022 • 17:37 - Atualizado em 21/01/2022 • 18:26
Caixão com corpo de Elza Soares deixando o Theatro Municipal do Rio
Caixão com corpo de Elza Soares deixando o Theatro Municipal do Rio
Alexandre Loureiro/Reuters

O corpo de Elza Soares foi sepultado na tarde desta sexta-feira (21), no cemitério Jardim da Saudade Sulacap, no Rio de Janeiro. Elza Soares morreu na tarde da última quinta-feira (20), de causas naturais, aos 91 anos.

O velório da cantora e compositora aconteceu mais cedo, no Theatro Municipal, no Centro do Rio de Janeiro. No início da manhã, a cerimônia foi restrita aos e logo depois foi aberta aos fãs.

O traslado com o corpo da cantora feito em carro dos Bombeiros até o cemitério foi acompanhado por integrantes da bateria da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, decretou luto de três dias na cidade pela morte da artista.

Trajetória conturbada

Elza da Conceição Soares, expoente da música popular brasileira, nasceu em uma família de 10 irmãos, na Vila Vintém, comunidade no bairro de Padre Miguel, na Zona Norte do Rio. 

artista teve uma infância conturbada: casou-se aos 12 anos obrigada pelo pai, e o sobrenome “Soares” foi herdado do primeiro marido. Teve o primeiro filho aos 13 --que morreu com poucas semanas de vida. Ficou viúva aos 21 anos, e casou-se com Garrincha em 1966. Teve oito filhos

Aprendeu a cantar com o pai, um operário que adorava tocar violão. Sua mãe era lavadeira de roupas. Todo o sucesso que teve em sua carreira, sempre foi intercalado com desgraças. Seu talento foi descoberto em um show de calouros por Ari Barroso, 1953, na Radio Tupi.

No começo da década de 60, numa fase de grande sucesso, Elza se apresentou na Copa do Mundo do Chile. Foi lá que se apaixonou por Garrincha, que já era casado. Elza viveu com o jogador por quase duas décadas. Garrincha era alcoólatra e entre idas e vindas o relacionamento foi marcado por agressões, ciúmes e muita violência.

Reconhecida em 1999 como Cantora do Milênio, Elza Gomes da Conceição deu voz à canções icônicas como "Mulher do Fim do Mundo", "Eu Bebo Sim" e "A Carne". Ela também é considerada uma das 100 maiores vozes da música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil.

A cantora também foi homenageada na Marquês de Sapucaí em 2020, no desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel. Com o enredo "Elza Deusa Soares", o desfile retratou a era de ouro do rádio, nos anos 50, quando a menina da lata d’água na cabeça foi descoberta como uma estrela da música. A Mocidade resgatou uma das suas crias mais ilustres e encheu de alegria uma comunidade que esperou anos para revê-la.

Em entrevista ao BandNews TV, Zeca Camargo, biógrafo da cantora, destacou as dificuldades enfrentadas por ela durante a carreira “só não foram maiores do que a vontade dela de mostrar sua arte, de ter uma voz, de ser ouvida como mulher, tudo o que ela representava --representa até hoje”.

“Elza tem um papel na cultura brasileira tão importante, um papel que ela conquistou de uma maneira muito intuitiva. Todas as causas pelas quais ela lutou e virou uma super porta-voz, como o empoderamento feminino, a causa do racismo, da cultura negra e da periferia… Ela virou um megafone para essas questões e fez isso por instinto”, destacou Zeca Camargo.