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Do encontro à morte de Dom Phillips e Bruno Pereira: veja a cronologia do crime

Mortes de indigenista brasileiro e do jornalista inglês foram confirmadas após 11 dias de buscas pela Polícia Federal

Cleber Souza 16/06/2022 • 17:43 - Atualizado em 21/06/2022 • 12:34
Jornalista britânico e indigenista brasileiro foram mortos na Amazônia
Jornalista britânico e indigenista brasileiro foram mortos na Amazônia
Reprodução/Twitter

Segundo a polícia, o pescador Amarildo da Costa Oliveira, o como "Pelado", e seu irmão, Oseney da Costa Oliveira, conhecido também como "Dos Santos", confessaram a autoria do crime. Ambos estão preso e, segundo o superintendente da PF no Amazonas, Anderson Pontes, "Pelado" foi quem indicou o local onde os corpos teriam sido ocultados.  

Segundo as investigações Dom e Bruno foram rendidos e mortos pela dupla. Os corpos foram decepados, esquartejados e queimados, e depois jogados em uma vala na região do Vale do Javari, na Amazônia.

O local é de difícil acesso e fica a cerca de 3 km do local onde objetos pessoais do indigenista e do jornalista haviam sido encontrados no último domingo (12).

Ainda na quarta-feira, equipes de buscas realizaram escavações e foram encontrados "remanescentes humanos". Os restos dos corpos foram enviados para Brasília na manhã desta quinta-feira (16), onde serão periciados.  

Segundo um especialista ouvido pela BandNews TV, o resultado dessa perícia pode demorar até dez dias para ficar pronto. Após a confirmação da identificação dos corpos, eles serão entregues às famílias.

Ainda nesta quinta-feira, Polícia Federal deve realizar buscas pelo barco utilizado pela dupla na Amazônia. De acordo com a PF do Amazonas, Anderson Fontes, já se sabe onde a embarcação está. As informações são de que foram colocados sacos de terra para afundá-la, após o motor ter sido retirado.  

Agora, a polícia investiga a motivação do crime, que pode estar ligada à prática de pesca ilegal de pirarucu na região.A Polícia Federal também investiga se a pesca ilegal dos irmãos era feita para abastecer o tráfico de drogas na região, segundo apuração de Valteno de Oliveira e Yan Boechat, da BandNews.  

A PF ainda não descarta a participação de uma terceira pessoa envolvida na morte de Dom e Bruno. Novas prisões podem ser feitas a qualquer momento.

Veja, abaixo, uma cronologia do caso.

1º de junho - O encontro

O indigenista e o jornalista se encontram na cidade de Atalaia do Norte (AM), no Vale do Javari, perto da fronteira com o Peru, onde são comuns as invasões de terras feitas por madeireiros e garimpeiros ilegais.

Bruno chegou primeiro ao local antes do encontro com Dom. O objetivo da viagem a realização de reuniões com aldeias sobre a segurança das terras indígenas. O inglês queria fazer entrevistas com lideranças indígenas e ribeirinhos para seu seu livro que estava sendo produzido, chamado “Como Salvar a Amazônia?”.

Com isso, os dois passaram a viajar juntos. Bruno era referência para jornalistas internacionais que queriam visitar a Amazônia.  

3 de junho - A viagem 

No segundo dia após o encontro, Bruno e Dom foram a um posto de vigilância indígena próximo a uma localidade chamada Lago do Jaburu, o ponto mais distante em que chegaram na viagem. No local, o Dom pretendia realizar entrevistas com os indígenas.

5 de junho - O desaparecimento

Com a realização da expedição chegando ao fim, Bruno e Dom retornaram pelo Rio Itaquaí, no caminho de volta para Atalaia do Norte.

Durante a volta, ambos pararam na comunidade ribeirinha São Rafael, em uma visita a um líder comunitário do local. Esse encontro havia sido marcado por Bruno para falar sobre a vigilância na região contra invasores.

Eles chegaram ao local por volta das 6h, mas o líder comunitário não estava. Bruno e Dom conversaram com a mulher dele. Depois, saíram de barco com destino a Atalaia — a última vez que foram vistos.

A viagem de cerca de 72 quilômetros pelo Rio Itaquaí deveria durar apenas duas horas, mas eles retornaram ao destino.

Naquela tarde, duas equipes da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) fizeram duas expedições de buscas, no entanto, nada foi encontrado.

6 de junho - O comunicado

No dia 6 de junho, o desaparecimento foi divulgado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e pelo Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI), em comunicado oficial.

Segundo a entidade indígena, Bruno havia informado que voltaria neste dia à cidade de Atalaia do Norte.  

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal começaram a investigar o caso. A Marinha e o Exército colocam equipes para ajudar nas buscas.

7 de junho - Buscas

Uma força-tarefa retoma as buscas pelos desaparecidos no rio. O ministro da Justiça, Anderson Torres, usa uma rede social para dizer que a Fundação Nacional dos índios (Funai), a Polícia Federal, as Forças Armadas e a Força Nacional estão envolvidas nos esforços.

Já a Marinha informa que colocou um helicóptero, duas embarcações e uma motoaquática para percorrerem o Vale do Javari. Enquanto isso, o governo do Amazonas manda policiais e uma equipe de mergulhadores ao local.

8 de junho - Primeiro suspeito

A polícia prende o primeiro suspeito de envolvimento no desaparecimento de Bruno e Dom. Amarildo da Costa de Oliveira, o "Pelado", teria ameçado indígenas que participavam das buscas. Na ocasião, ele negou as acusações.

9 de junho - Sangue 

10 de junho - Tortura 

Ao jornalista Yan Boechat, enviado especial da Band para acompanhar as buscas, parentes de Amarildo alegam que ele é inocente e que foi torturado por policiais.

12 de junho - Pertences

Equipes de buscas encontram pertences de Bruno Pereira e de Dom Phillips. Os bombeiros disseram ter encontrado uma mochila, um notebook e um par de sandálias na área onde eram feitas as buscas pelo jornalista inglês e pelo indigenista. Os objetos foram encaminhado para perícia em Manaus no mesmo dia.

13 de junho - Informação falsa

Alessandra Sampaio, mulher do jornalista Dom Phillips, recebe e informação de que os corpos dos desaparecidos foram encontrados.

A família foi informada sobre a localização pela Embaixada Brasileira no Reino Unido. A Polícia Federal e a Associação indígena que atua na região, no entanto, negaram a informação.

14 de junho - Pedido de desculpas

No mesmo dia, o segundo suspeito, Oseney da Costa de Oliveira, 41, conhecido também como “Dos Santos”, é preso temporariamente. Ele é irmão de Amarildo. Até este dia, nove pessoas tinham sido ouvidas pela polícia.

15 de junho - Mortes confessadas

Segundo a PF, Amarildo afirmou que Bruno e Dom foram assassinados e apontou a localização dos corpos, que teriam sido esquartejados, queimados e enterrados com a ajuda de seu irmão Oseney.  

Após escavações, equipes encontraram “remanescentes humanos” que podem ser de Dom e de Bruno.