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Ex-presidente Lula diz estar "frustrado com o comportamento de Joe Biden" em relação a Cuba

Ex-presidente concedeu entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes, no Jornal Gente, na manhã desta terça-feira (13)

Rádio Bandeirantes 13/07/2021 • 12:34 - Atualizado em 13/07/2021 • 16:13

Luiz Inácio Lula da Silva afirmou estar "frustrado com o comportamento de Joe Biden" em relação a Cuba. O ex-presidente da República concedeu entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes, no Jornal Gente, na manhã desta terça-feira (13).

Entre outros temas, ele falou sobre os protestos na ilha, considerados os mais expressivos em muitos anos. Lula afirmou que os problemas enfrentados pelos cubanos decorrem dos bloqueios impostos pelos Estados Unidos. Segundo ele, o governo americano "guarda ódio no coração porque Cuba venceu a revolução"

“Os problemas de Cuba serão resolvidos pelos cubanos. Os problemas da Venezuela serão resolvidos pela Venezuela e os problemas do Brasil serão resolvidos pelo Brasil. Não é necessária a interferência internacional. Eu sinceramente queria dizer que estou frustrado com o comportamento do Biden, porque fez um belo discurso voltado para o público interno, para se contrapor ao Trump e até elogiei, mas do ponto de vista da política externa o Trump tomou 240 medidas punitivas contra Cuba e o Biden não mudou nenhuma. Não é possível que o governo americano guarde tanto ódio no coração porque Cuba venceu a revolução”, disse.   

Ainda na avaliação do ex-presidente, as interferências dos Estados Unidos impediram Cuba de se tornar um país rico. Lula disse que até o enfrentamento da pandemia foi prejudicado pelos bloqueios, alimentando a insatisfação popular.

“Há razões de ter protestos em Cuba? Há. Cuba é um país que está empobrecido por conta do bloqueio, que é muito sério - são 60 anos de bloqueio. Nessa questão da pandemia, é quase que uma coisa desumana se manter o bloqueio, porque quem morre são crianças, são velhos, são pessoas que não estão em guerra. Eu cansei de ver faixa aqui ‘fora, Lula', ‘fim da Dilma’, ‘fim do PT’. Cansei de ver faixa ‘fora, Bolsonaro’, ‘fora, Collor', ‘fora, Fernando Henrique Cardoso’. Isso tem em todo o mundo. ‘Fora, Trump.' No mundo inteiro é assim. Graças a Deus que existe possibilidade de haver manifestação. Agora, você não viu nenhum soldado ajoelhado no pescoço de um negro matando ele”, avaliou.

“Se Cuba não tivesse o bloqueio, Cuba poderia ser uma Holanda, poderia ser uma Noruega, poderia ser uma Dinamarca, porque tem um povo altamente formado e intelectualmente muito bem preparado. Precisa é dar oportunidade. Cuba não conseguiu nem comprar respirador porque os americanos não permitiram que chegasse lá. Isso é desumano e era o que deveríamos estar criticando. Não tem problema pedir democracia em Cuba, isso o povo pode pedir, e ir para rua o povo também pode ir à vontade em qualquer lugar do mundo. Os americanos precisam parar de ser rancorosos, de ser donos do mundo e parem de fazer bloqueio, porque o bloqueio é uma forma covarde de você matar quem não está em guerra”, disse. 

Depois das manifestações de domingo, o governo de Cuba cortou a internet da população e impediu o acesso a redes sociais para evitar novos protestos. Lula foi questionado sobre a censura e, ao pedir que a internet tome providências contra as fake news, atacou o presidente Jair Bolsonaro.

“Aqui no Brasil e o Trump também era preciso que a internet tomasse uma atitude contra mentiras. Sabe quantas mentiras o Bolsonaro conta por dia? Ele conta mais de quatro mentiras por dia. Isso já provado e denunciado pela imprensa. Não é possível alguém que é Presidente da República mentir.  Não é possível alguém utilizar a internet para fazer fake news e para fazer guerra contra os outros. Eu sou favorável a liberdade de imprensa e não acho que tem que proibir. É preciso saber ela está sendo utilizada para que? Do pessoal de Miami tentando fazer guerra com Cuba? De um país tentando intervir em outro? Eu sei o que é isso e já está provado que na campanha de 2018 teve fake news vindo de fora para dentro do Brasil”, disse. 

Erros e críticas 

Lula ainda disse na entrevista exclusiva ao Jornal Gente que não faz autocrítica porque não quer ser crítico dele mesmo. Para o ex-presidente, só ele e o PT são cobrados para reconhecer erros cometidos no governo.

Ele também falou estar preparado para rebater todas as críticas que forem feitas, mas não vai fazer oposição a si próprio.

“Quando alguém pergunta: ‘Você não quer fazer autocrítica? ’ Eu respondo: ‘Faça você a crítica que você quer fazer. Não fique pedindo para que eu próprio me critique. Me critique você e eu vou responder’. Eu nunca vi ninguém pedindo autocrítica para Collor, Bolsonaro, Fernando Henrique Cardoso, Sarney e Getúlio Vargas. É só para o PT que pedem autocritica. Eu digo sempre: ‘me critique, porque se for para eu ser governo e ser oposição a mim não tem sentido’”, falou. 

O ex-presidente ainda se descreveu como “aquele que foi acusado mentirosamente, que foi destratado pelos meios de comunicação durante cinco anos, que me jogaram a pecha da maior corrupção deste país”.

“Deveriam pedir desculpas para mim, porque hoje eu sou um homem que estou totalmente livre, e quem está prestes a ser condenado são as pessoas que mentiram a meu respeito. Eu não só falo de corrupção, como eu quero dizer para você que todos os instrumentos de combater a corrupção com eficácia, elogiado por todas as instituições da ONU, foram exatamente no meu governo e no governo da presidenta Dilma”, avaliou.

Lava Jato e Eleições 2022

O ex-presidente acredita ter provado que é inocente das acusações feitas pela Operação Lava Jato. Ele afirmou que, caso venha a disputar a presidência no ano que vem, não terá problema em discutir o assunto corrupção.

“É por isso que tive a coragem de enfrentar o Moro e provar que ele era mentiroso. É por isso que tive coragem de enfrentar a força-tarefa, que tinha um conluio com grande parte da imprensa brasileira e eu sei que muita gente que tirou foto com o Dallagnol hoje tem vergonha. Eu continuo aqui brigando pela democracia, pelos direitos humanos e pelo respeito. Você só pode acusar alguém quando tiver prova, quando não tiver fique de boca fechada”, disse.

Para o ex-presidente, os militares e os evangélicos, tidos como base de Jair Bolsonaro, não são podem ser tratados como “gado” por qualquer candidato. E, com relação aos militares, Lula disse que eles devem ir às urnas pensando em eleger o presidente da República, e não um governante para as Forças Armadas.

“Nem os militares querem serem tratados como gado e nem os evangélicos são gados. Tem que ser tratados como cidadãos brasileiros e você tem que ter um discurso para o cidadão brasileiro. Na última pesquisa do Datafolha eu já ganhava do Bolsonaro junto aos evangélicos. Eu trato os evangélicos com respeito que eu trato o católico e eu trato os militares com respeito que trato os civis. Não tem que se dirigir as urnas como tenente, capitão ou coronel, mas como cidadãos brasileiros que vão escolher um governante não para as Forças Armadas, mas para o país e os evangélicos tem que votar em um candidato que vai cuidar do povo pobre do país”, disse.

Questionado se será candidato à presidência em 2022, Lula se esquivou.

“Depende”, afirmou. “Eu vou decidir se vou ser candidato em algum momento. Tenho que pensar muitas coisas. Qualquer pessoa pode ser candidata. Vocês nunca governaram, então podem prometer o que quiserem. Se não cumprirem depois de eleito, vocês voltam a dar aula, voltam a fazer o trabalho de vocês. Eu não posso”, ponderou.

“Eu, para decidir ser presidente da República, tenho que medir as consequências dos meus atos - e sou o único candidato que tem que fazer mais do que já fiz.”

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