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Fortunas dos mais ricos mais do que dobraram durante pandemia, aponta relatório

Mundo ganhou um bilionário a cada 26 horas, enquanto maior parte da população empobreceu

Da redação, com BandNews TV 17/01/2022 • 15:24

Os 10 homens mais ricos do mundo viram as fortunas crescerem ainda mais ao longo da pandemia da Covid-19, de acordo com um relatório da organização Oxfam lançado neste domingo (16).

Os patrimônios dos bilionários mais do que dobraram em meio à crise mundial. O total somado ultrapassa US$ 1,5 trilhão – mais de R$ 8,2 trilhões em valores atuais.

“Os 10 homens mais ricos do mundo mais que dobraram suas fortunas, de US$ 700 bilhões para US$ 1,5 trilhão – a uma taxa de US$ 15 mil por segundo, ou US$ 1,3 bilhão por dia – durante os dois primeiros anos da pandemia de Covid-19. Por outro lado, a renda de 99% da humanidade caiu e mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza”, informou a entidade.

De acordo com a Oxfam, a riqueza do grupo já é superior à dos 3 bilhões de pessoas mais pobres do mundo. Segundo o relatório, que ganhou o nome de A Desigualdade Mata, o mundo ganhou um novo bilionário a cada 26 horas.

“Os 10 homens mais ricos do mundo têm hoje seis vezes mais riqueza do que os 3,1 bilhões mais pobres do mundo”, explicou Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

O Brasil tem 55 bilionários (10 a mais do que em março de 2020), contabilizando juntos US$ 176 bilhões (US$ 39,6 bilhões a mais do que no início dos casos do novo coronavírus). Ao longo do período analisado, 90% da população brasileira teve redução de 0,2% nas riquezas. Hoje, os 20 mais ricos do país tem, somados, US$ 121 bilhões, mais do que 128 milhões de brasileiros (60% da população).

“É inadmissível que alguns poucos brasileiros tenham lucrado tanto durante a pandemia quando a esmagadora maioria da população ficou mais pobre”, diz Katia Maia. “Milhões de brasileiros sofreram com a perda de emprego e renda, enfrentando uma grave crise sanitária e econômica.”

A Oxfam aponta os amplos estímulos financeiros durante a pandemia como motivo para o aumento do valor das empresas nas quais os super-ricos têm participação. Para a instituição, a crise se tornou “bonança bilionária”

A organização sugeriu a cobrança de um imposto único de 99% sobre o lucro dos magnatas para financiar a produção e a entrega de vacinas, sobretudo para as nações menos desenvolvidas. A estimativa é de que as taxas poderiam render aos cofres públicos US$ 800 bilhões.

“Ainda que os governos tenham injetado US$ 16 trilhões do nosso dinheiro nas economias dos países para salvar vidas e empregos, boa parte desses recursos acabaram nos bolsos dos bilionários, devido às grandes altas no mercado de ações. As vacinas deveriam acabar com a pandemia, mas a desigualdade na sua distribuição concentrando doses nos países mais ricos, está deixando milhões sem acesso. O resultado é que diferentes tipos de desigualdades devem aumentar no mundo. Estamos perdendo nossa humanidade de forma acelerada ao normalizar desigualdades extremas”, alega Katia Maia.