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Gerente de medicamentos da Anvisa sobre pendências da Sputnik: "Risco não compensa benefício"

Gustavo Mendes detalhou motivos de veto à vacina russa e aos testes da ButanVac em humanos

Da Redação, com BandNews FM 28/04/2021 • 21:30 - Atualizado em 28/04/2021 • 22:58

Em entrevista à Rádio BandNews FM nesta quarta-feira (28), o gerente-geral de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Gustavo Mendes, apontou que o processo de importação da vacina Sputnik V pode ser retomado caso o Instituto Gamaleya demonstre mudanças na produção. 

"A bola não está com a Anvisa. Estamos no aguardo das respostas do instituto. Há margem para recursos, e estamos esperando novas informações sobre a Sputnik", disse o especialista, que lembrou que a agência tem trabalhado com a questão da Sputnik desde a parte final do ano de 2020 (ouça a íntegra da entrevista acima). 

Na última terça (27), a Anvisa negou a importação do imunizante russo contra a covid-19 após pedido de 10 Estados. A decisão de não autorizar a importação da Sputnik V ocorreu após o fundo soberano russo não demonstrar a segurança do imunizante. Porém, o técnico garantiu que o uso da vacina russa não está inviabilizada, mas que as pendências questionadas fazem “o risco não compensar o benefício”.

Segundo a gerência-geral de Medicamentos do órgão, há pontos críticos que não foram esclarecidos, como a replicação do adenovírus. De acordo com especialistas, o vírus modificado não pode se multiplicar dentro das células, mas sim provocar a geração de anticorpos.  

A adenovirose pode causar problemas respiratórios, renais e reprodutivos, disse Mendes. 

Com a rejeição da Anvisa, cerca de 75 milhões de doses não podem entrar no Brasil, sendo 37 milhões de governadores do Norte e Nordeste, 28 milhões dos governantes do Centro-Oeste e outras 10 milhões do governo federal. Até o momento, 14 estados e duas prefeituras pediram a importação da vacina.  

ButanVac 

Outra vacina que está em discussão na Anvisa é a Butanvac, que será feita totalmente no território nacional pelo Instituto Butantan. De acordo com Gustavo Mendes, o pedido de estudo em humanos ainda está incompleto. Foram 44 pontos listados pela Anvisa necessários para a retomada da análise.

Ele lembra que o órgão só recebeu os detalhes na semana passada, mas de forma parcial. Questionado sobre o prazo para ser aprovada, Mendes disse que é difícil dizer quando a ButanVac estará disponível para os brasileiros. 

Mesmo com a negativa, o governador de São Paulo João Doria disse que o Butantan prevê fazer até 18 milhões de doses de sua vacina até junho

Ainda sem aval da Anvisa, Butantan inicia produção da Butanvac; assista

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